TODA CANÇÃO DE LIBERDADE VEM DO CÁRCERE: HOMOFOBIA, MISOGINIA E RACISMO NA RECEPÇÃO DA OBRA DE MÁRIO DE ANDRADE

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  1  TODA CANÇÃO DE LIBERDADE VEM DO CÁRCERE: HOMOFOBIA, MISOGINIA E RACISMO NA RECEPÇÃO DA OBRA DE MÁRIO DE ANDRADE JORGE VERGARA Tese submetida ao Programa de Pós-Graduação em Música do Centro de Letras e Artes da UNIRIO, como requisito parcial para a obtenção do grau de doutor, sob a orientação do Doutor Carlos Palombini. Rio de Janeiro, fevereiro de 2018  2    3 São Paulo é um palco de bailados russos. Sarabandam a tísica, a ambição, as invejas, os crimes e tambem as apoteoses da ilusão... Mas o Nijinski sou eu! E vem a Morte, minha Karsavina! Quá, quá, quá! Vamos dansar o fox-trot da desesperança a rir, a rir dos nossos desiguais! Mário de Andrade, 1922.  4  VERGARA, Jorge Israel Ortiz. Toda canção de liberdade vem do cárcere: homofobia, misoginia e racismo na recepção da obra de Mário de Andrade . 2018. Tese (Doutorado em Música) – Programa de Pós-Graduação em Música, Centro de Letras e Artes, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO. Resumo   Toda canção de liberdade vem do cárcere: homofobia, misoginia e racismo na recepção da obra de Mário de Andrade recorre à teoria queer  , ao feminismo, à musicologia, à história da medicina, à história do Brasil e à crítica literária para confrontar textos provenientes de revistas, jornais, literatura médica, livros, músicas e correspondência assinados por Mário de Andrade com os de seus contemporâneos. O primeiro capítulo explica como o jornal Folha da Noite  (1923), a  Revista de antropofagia  (1929) e o jornal  Dom Casmurro  (1939) moveram campanhas racistas, misóginas e homofóbicas para reprochar Mário de Andrade – a primeira delas até aqui desconhecida da literatura. O segundo capítulo ressalta traços da empatia de Mário de Andrade com figuras de homoerotismo e subalternidade em Paulicea desvairada  (1922) para argumentar que a estilização é testemunho de como a sociedade condenou pessoas e suas práticas à ignomínia e ao silêncio O terceiro capítulo interpreta discursos de Mário de Andrade sobre música no que contestam autoritarismos e preconceitos disseminados no imaginário da época. Se a figura contemporânea dos “moços bonitos” implica homossexualidade, efeminação, travestismo e prostituição masculina, os poemas “A caçada” e “Nocturno” de Paulicea desvairada e “Cabo Machado” de  Losango cáqui  (1926) confrontam o leitor com o mulato em composições que fundem subalternidade, música e nacionalidade, nas quais as ideias de raça, modernização, masculinidade e nacionalismo apresentam caráter anti-autoritário. O “mundo da arte” (Becker, 1982) de Mário de Andrade depende da interação com o universo mental e social da época. Essa produção e interação não acontecem sem discurso, e esses discursos nem sempre abordam música, misoginia, antissemitismo, homofobia e branqueamento de forma direta. O valor das obras de arte diminui quando as analisamos em função da competência e elaboração técnica apenas. Palavras-chave:  Mário de Andrade – Preconceito – Homofobia – Racismo – Musicologia  5 VERGARA, Jorge Israel Ortiz. Every Freedom Song Comes from the Gaol: Homophobia,  Misogyny and Racism in the Reception of Mário de Andrade’s Work  . 2018. Thesis (Doctorate in Music) – Postgraduate Program in Music, Center of Letters and Arts, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO. Summary “ Every Freedom Song Comes from the Gaol: Homophobia, Misogyny and Racism in the Reception of Mário de Andrade’s Work ”  resorts to queer theory, feminism, musicology, the history of medicine, Brazilian history and literary criticism in order to confront texts from magazines, newspapers, books, music and correspondence written by Mário de Andrade with those of his contemporaries. The first chapter explains how the newspaper Folha da Noite  (1923), the magazine  Revista de antropofagia  (1929) and the newspaper  Dom Casmurro  (1939) moved racist, misogynist and homophobic campaigns against Mário de Andrade – the first of which hitherto unacknowledged by the literature. The second chapter stresses Mário de Andrade’s empathy with figures of homoeroticism and subalternity as presented in the 1922 poetry book Paulicea desvairada (Deranged São Paulo city) to argue that stylization testifies to how society has condemned some people and their practices to ignominy and silence. The third chapter interprets Mário de Andrade’s discourses on music insofar as they contest authoritarianisms and prejudices disseminated in the contemporary image-repertoire. While the popular “pretty boys” figures implies homosexuality, effeminacy, transvestism and male prostitution, such poems as“A caçada” (The hunt) and “Nocturno” (Nocturne), from Paulicea desvairada , and “Cabo Machado” (Corporal Machado), from the 1926 book  Losango cáqui (Khaki lozenge), confront the reader with the mulatto in compositions that blend subalternity, music and nationality, in which the ideas of race, modernization, masculinity and nationalism betray an anti-authoritarian frame of mind. Mário de Andrade’s “art world” (Becker, 1982) depends on interaction with the mental and social universe of the time. Production and interaction do not take place without discourse, and such discourses not always tackle music, misogyny, anti-Semitism, homophobia and whitening in a direct way. The value of art works is lessened when they are analysed according to technical competence and elaboration only. Key-words:  Mário de Andrade – Prejudice – Homophobia – Racism – Musicology  
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