DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DAS MACROALGAS ASSOCIADAS ÀS FLORESTAS DE MANGUE NA PENÍNSULA DE AJURUTEUA, BRAGANÇA-PAR

Description
DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DAS MACROALGAS ASSOCIADAS ÀS FLORESTAS DE MANGUE NA PENÍNSULA DE AJURUTEUA, BRAGANÇA-PAR

Please download to get full document.

View again

of 7
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Information
Category:

Self Improvement

Publish on:

Views: 2 | Pages: 7

Extension: PDF | Download: 0

Share
Tags
Transcript
  11 BOLETIM DO LABORATÓRIO DE HIDROBIOLOGIA, 18:11-17. 2005  DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DAS MACROALGAS ASSOCIADAS ÀSFLORESTAS DE MANGUE NA PENÍNSULA DE AJURUTEUA,BRAGANÇA-PARÁ Marcus E. B. Fernandes 1 Edison F. Silva 1  Jô F. Lima 1 Eduardo S. Varela 1 Alexandre P. Hercos 1 Carlos M. Fernandes 1 Cinthya C. B. Arruda 1 Grazielle Gomes 1 Helane Santos 1 Cidiane Soares 1  Rosa M. Saraiva 1 RESUMO Este estudo objetivou caracterizar a comunidade de macroalgas presentes na península de Ajuruteua e naIlha de Canelas, Bragança, Pará. As coletas foram realizadas nos seguintes substratos: tronco, pneumatóforoe rizóforo. Três réplicas por substrato foram coletadas em cada um dos nove pontos amostrais para aidentificação das espécies. Foram registradas 11 espécies de macroalgas pertencentes a sete gêneros aolongo de um gradiente de salinidade, que variou de 16 a 42, e cujo número de espécies não apresentoudiferença significativa na sua distribuição espacial. As comunidades algais ao longo da península até a Ilhade Canelas mostraram alta similaridade entre si, com valores acima de 80%, com exceção do Furo do Taici(65%) e da Ilha de Canelas (60%). Além do mais, a flora algal registrada para o Estado do Pará mostrou-se mais similar à flora do litoral do Estado do Maranhão (~ 63%) do que àquela do Estado do Amapá (~48%). Embora alguns estudos já tenham caracterizado a comunidade de macroalgas em algumas áreas dacosta norte, tais informações devem ainda ser consideradas como preliminares, haja vista a grandeextensão dos manguezais amazônicos e o pequeno esforço amostral empregado para determinar adistribuição espacial dessa flora associada aos manguezais da Amazônia brasileira.Palavras-chave    –    distribuição espacial, macroalga, manguezal, península de Ajuruteua, Pará. ABSTRACTSpatial distribution of macroalgae associated with mangrove forests in the ajuruteuapeninsula, Bragança-Pará  This study aimed to characterize the macroalgae community in the Ajuruteua peninsula and on CanelasIsland, Bragança, Pará. Macroalgae were collected from the following substrata: trunk, pneumatophoreand rhizophore. Three replicates of each substratum were collected at nine sample stations for speciesidentification. Twelve species from seven genera of macroalgae were recorded in a salinity gradient,ranging from 16 to 42, in which the number of species did not present any significant difference on itsspatial distribution. Algae communities along the peninsula until Canelas Island showed high similaritieswith values over 80%, but Furo do Taici (65%) and Canelas Island (60%). In addition, algae florarecorded in the state of Pará showed to be more similar to that one on the coastline of the state of Maranhão (~ 63%) than the species found in the state of Amapá (~ 48%). Although some studies havealready characterized the macroalgae community in some areas in the northern coast of Brazil, suchinformation must be considered as preliminary ones, due to the large extension of the Amazon mangroveforests and the small sampling effort employed to determine the spatial distribution of this flora associatedwith mangals in the Brazilian Amazon.Key words - spatial distribution, macroalgae, mangal, Ajuruteua peninsula, Pará. 1 Laboratório de Ecologia de Manguezal, Campus de Bragança, Universidade Federal do Pará, Alameda Leandro Ribeiro s/n,Aldeia, Bragança, Pará. CEP: 68.6000-000. E-mail: mebf@ufpa.br, Fone: (091) 3425 1209 - Fax: (091) 3425 1593.  FERNANDES  ET AL. 12 BOLETIM DO LABORATÓRIO DE HIDROBIOLOGIA, 18:11-17. 2005  INTRODUÇÃO As florestas de mangue são encontradas aolongo do litoral do Brasil entre os paralelos 28°30’Se 04°30’N, do Estado de Santa Catarina até o Estadodo Amapá (Schaeffer-Novelli, 1989). Grande partedessas florestas está localizada na costa norte brasileira, entre a foz do rio Oiapoque (extremo nortedo Estado do Amapá) e a baía de São Marcos (Estadodo Maranhão), onde a vegetação apresenta sua maior exuberância (Fernandes, 2003). Este ecossistema éconsiderado de suma importância para uma grandevariedade de espécies animais e vegetais, criandodiferentes hábitats para as mais diversas associações biológicas. As árvores que formam os bosques nosmanguezais, por exemplo, apresentam estruturasadaptadas a este ecossistema, tais como os rizóforose pneumatóforos, os quais propiciam a ocorrênciade muitas espécies de invertebrados, bem comoservem de substrato para a fixação de várias espéciesda flora algal. No Brasil, os estudos das comunidades algaissão bastante recentes, onde alguns trabalhos decunho taxonômico e ecológico podem ser destacados, como os de Correia-Ferreira & Brandão(1974), Hadlich & Bouzon (1985), Paula et al . (1989),Eston et al . (1992) e Cutrim & Azevedo (2005). Noentanto, considerando a vasta extensão do litoral brasileiro, principalmente as largas faixas ocupadas pelos manguezais ao longo da costa norte brasileira, poucas informações foram geradas para conformar uma análise pormenorizada da distribuição dessaflora. No intuito de contribuir com dados sobre adistribuição da flora algal ao longo da linha costeiraamazônica, este trabalho tem como objetivodeterminar as espécies que compõem a comunidadede macroalgas associada aos bosques de mangueao longo de um gradiente de salinidade na penínsulade Ajuruteua e na Ilha de Canelas, no município deBragança, apresentando os primeiros registros dessegrupo para o Estado do Pará, bem como fazer umaanálise macroscópica preliminar do litoral amazônico,comparando estes registros com aqueles dosmanguezais dos Estados do Amapá e Maranhão. MATERIAL E MÉTODOSÁrea de estudo Os levantamentos das espécies de macroalgasforam realizados em oito pontos amostrais ao longoda península de Ajuruteua e um ponto na Ilha deCanelas, ambos localizados no município deBragança – PA (Figura 1). Esses pontoscorrespondem à sequência dos canais, os quaisentrecortam toda a península formando um gradientede salinidade (Tabela 1). Procedimento As amostras foram coletadas aleatoriamentenos seguintes substratos: tronco, pneumatóforo erizóforo. Três réplicas por substrato foram retiradas Tabela 1.  Pontos amostrais com suas respectivas coordenadas geográficas, valores de salinidade enúmero de espécies identificadas ao longo da península bragantina e na Ilha de Canelas, municípiode Bragança – PA  BOLETIM DO LABORATÓRIO DE HIDROBIOLOGIA, 18:11-17. 2005  MACROALGAS NOS MANGUEZAIS DE BRAGANÇA-PARÁ13em cada ponto amostral. Todo o material foiacondicionado em sacos plásticos e transportado para o laboratório para posterior identificação com oauxílio das seguintes chaves dicotômicas (Cordeiro-Marino, 1978; Blair, 1983; King & Puttock, 1989). Paraa identificação das espécies foram utilizados:Microscópio Óptico Comum (MOC) e MicroscópioEstereoscópico com disco micrométrico, em funçãode alguns gêneros (ex.  Rhizoclonium  e Chaetomorpha ) apresentarem características bastante peculiares no que diz respeito ao diâmetroe comprimento de suas células. Análise de dados Para testar a diferença no número de espéciesregistrado ao longo dos pontos amostrais foi utilizadoo teste não-paramétrico Kolmogorov-Smirnov- umaamostra, bem como foi utilizado o teste de Kruskal-Wallis para realizar uma análise comparativa dadistribuição das macroalgas nos diferentessubstratos disponíveis nos manguezais (Ayres et al ., 2003). A análise de Cluster foi utilizada paracomparar a riqueza de espécies dos três estados dacosta norte, através do índice de similaridade deBray-Curtis, usando o modo de agrupamento “GroupAverage”, o qual permite maximizar a correlação entreas amostras. Os dendrogramas propostos foramelaborados através do pacote estatístico Primer v5(Clarke & Gorley, 2001). RESULTADOS A Tabela 2 apresenta os resultados dolevantamento realizado ao longo da península e daIlha de Canelas, onde foram registradas 11 espécies pertencentes a sete gêneros de macroalgas, sendooito representantes da divisão Rodophyta e quatroda divisão Clorophyta (Figura 2).De acordo com a distribuição espacial da floraalgal encontrada ao longo dos nove pontosamostrais, as espécies  Bostrychia calliptera (Mont.)Mont.  , B. radicans  (Mont.) Mont. e  Rhizocloniumtortuosum  (C. Agardh) Schmitz   ocorreram em todosos pontos, ao passo que somente quatro dasespécies registradas apresentaram ocorrênciaexclusiva (Tabela 2). A mesma tabela mostra que asespécies  B. moritziana  (Sond. ex Kütz.) J.Agardh   e  B. pilulifera  Mont., por exemplo, foram registradasapenas no ponto#01 e  B. montagnei no ponto#07, Figura 1. Mapa localizando os nove pontos amostrais ao longo da península de Ajuruteua e Ilha de Canelas, Bragança - PA.  FERNANDES  ET AL. 14 BOLETIM DO LABORATÓRIO DE HIDROBIOLOGIA, 18: 11-17.2005  Tabela 2.  Ocorrência das espécies de macroalgas em três diferentes substratos orgânicos nos bosques demangue ao longo da península bragantina e na Ilha de Canelas, município de Bragança – PA. P=Pneumatóforo,R=Rizóforo, T=Tronco, PA=Pará, AP=Amapá e MA=Maranhão. Fontes: Pará (presente estudo), Amapá(Paula et al.,  1989) e Maranhão (Cutrim & Azevedo, 2005). ambas na península, enquanto que Cladophoropsismembranacea  Joly & Yam.-Tomita obteve um únicoregistro no ponto#09, na Ilha de Canelas.Considerando a riqueza de espécies da floraalgal na área de estudo, não foi observada diferençasignificativa quanto ao número de espécies ao longodos pontos amostrais (Kolmogorov-Smirnov, p>0,05), sendo o maior número de espécies (n=8)registrado para a Ilha de Canelas e o menor (n=4) para os pontos #02 e #03, na península (Tabela 2).Da mesma forma, a análise comparativa do padrãode distribuição dessas espécies entre os diferentessubstratos disponíveis nos bosques de mangue(tronco, pneumatóforo e rizóforo) não apresentoudiferença significativa (Kruskal-Wallis, p>0,05)(Tabela 2).A Figura 3 apresenta a similaridade entre ascomunidades algais registradas nos pontosamostrais. Tais comunidades apresentam-se bastante similares entre si, isto é, alcançaram valoresacima de 80%, com exceção do Furo do Taici (65%),que resultou um pouco mais diferenciado. Por outrolado, a comunidade algal característica da Ilha deCanelas é menos similar às comunidadesencontradas ao longo da península, apresentandovalor em torno de 60% (Figura 3 e Tabela 2). Além doque, a análise de similaridade entre os estados dacosta norte brasileira mostrou que a comunidade algaldos manguezais no Estado do Pará é mais semelhanteàquela registrada no Estado do Maranhão (~ 63%)do que a comunidade presente no Estado do Amapá(~ 48%) (Figura 4 e Tabela 2).A distribuição espacial de algumas espéciesde macroalga parece estar relacionada com adistribuição da salinidade da água ao longo da península de Ajuruteua, principalmente seconsiderarmos o ponto amostral mais interno(ponto#01), que apresentou o menor valor de  MACROALGAS NOS MANGUEZAIS DE BRAGANÇA-PARÁ BOLETIM DO LABORATÓRIO DE HIDROBIOLOGIA, 18: 11-17.2005  15 Figura 2 - Ilustrações das 12 espécies de macroalgas registradas na península bragantina e na Ilha de Canelas,Bragança, Pará. Escalas: A  (  Bostrychia calliptera ) = 1,9 mm; B  (  B. montagnei ) = 0,6 mm; C  (  B. pilulifera ) = 0,41mm; D  (  B. radicans ) = 1,9 mm; E  (  B. moritziana ) = 0,76 mm; F ( Catenella caespitosa ) = 1,8 mm; G  (  Boodleopsis pusilla ) = 1,6 mm; H  ( Caloglossa leprieurii ) = 1,4 mm; I  ( Chaetomorpha brachygona ) = 1,1 mm; J ( Cladophoropsis membranacea ) = 0,45 mm e K  (  Rhizoclonium tortuosum ) = 0,22 mm. As linhas no meio dasilustrações representam as escalas das espécies. salinidade (~ 16,4) e o ponto mais externo (ponto#09),com o maior valor (42,0). No entanto, os pontosintermediários apresentaram valores de salinidadesemelhantes, o que parece funcionar como uma zona Figura 3. Dendrograma mostrando a similaridade entre os pontos amostrais da península bragantina e da Ilha de Canelas, município de Bragança, Pará, Brasil. de livre ocupação para a maioria das espécies. Defato, a distribuição espacial desse grupo taxonômico parece ser, até certo ponto, influenciada pela variaçãoda salinidade nas águas dos canais, corroborando
Related Search
Similar documents
View more...
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks