Cronologia de recintos de fossos da Pré-História Recente em território português

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The available radiocarbon dates for portuguese prehistoric ditched enclosures are presented and debated.

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  Patrocinador oficial FUNDAÇÃO MILLENIUM BCP 150 anos    Coordenação editorial: José Morais Arnaud, Andrea Martins, César NevesDesign gráfico: Flatland DesignProdução: DPI Cromotipo – Oficina de Artes Gráficas, Lda.Tiragem: 400 exemplaresDepósito Legal: 366919/13ISBN: 978-972-9451-52-2Associação dos Arqueólogos PortuguesesLisboa, 2013 O conteúdo dos artigos é da inteira responsabilidade dos autores. Sendo assim a As sociação dos Arqueólogos Portugueses declina qualquer responsabilidade por eventuais equívocos ou questões de ordem ética e legal.Os desenhos da primeira e última páginas são, respectivamente, da autoria de Sara Cura e Carlos Boavida.Patrocinador oficial Apoio institucional  335 Arqueologia em Portugal – 150 Anos cronologia dos recintos de fossos da pré-história recente em território português António Carlos Valera  / NIA – Era Arqueologia / antoniovalera@era-arqueologia.pt  RESUMO: Nos últimos anos o número de recintos de fossos da Pré-História Recente conhecidos no actual território português tem vindo a aumentar consideravelmente, ainda que de forma regionalmente díspar. A expres-são arqueológica que progressivamente apresentam transforma-os numa das “fenomenologias” mais rele-vantes para o entendimento das comunidades neolíticas e calcolíticas e respectivas dinâmicas sociais. No presente texto pretende-se apresentar um inventário actualizado dos contextos com fossos com datações absolutas, analisar a cronologia já disponível e sublinhar as linhas de força que se começam a traçar sobre o seu comportamento diacrónico. ABSTRACT: In the last years the number of ditched enclosures from Recent Prehistory known in Portugal has consider-ably increased, although in a regionally different way. Their actual archaeological expression makes them central to the understanding of the social dynamics of Neolithic and Chalcolithic communities. In this paper I intend to present an inventory of the contexts with absolute dates, analyse the available chronology and stress the tendencies that can be traced about their diachronic behaviour. 1. INTRODUÇÃO A última década e meia têm vindo a revelar, de uma forma anteriormente insuspeita, uma significativa expressão dos sítios com estruturas tipo fosso em Portugal e, numa escala um pouco mais alargada, na Península Ibérica, demonstrando que o extremo ocidental da Europa participou deste fenómeno de dimensão continental.Actualmente, e os números têm crescido perma-nentemente no último ano, o número de sítios com estruturas tipo fosso ultrapassa a meia cente-na em território nacional (Valera, 2013a; Valera e Pereiro, neste volume). A sua distribuição é ainda  bastante dissimétrica, com a esmagadora maioria a concentrar -se no interior alentejano, facto que po-derá vir a ser matizado a breve trecho, já que, ainda que pontualmente, estes contextos têm vindo a ser referenciados noutras zonas do país (à imagem do que vai acontecendo a nível peninsular).Constituindo -se como parte da “revolução empí-rica” em curso na Pré -História Recente no sul de Portugal, os sítios de fossos revelam um fenómeno central para o conhecimento das comunidades neo-líticas e calcolíticas e entendimento das suas formas de se organizarem no mundo. Neste âmbito, come-çar a estabelecer a sua cronologia e dinâmicas diacró-nicas é uma tarefa premente, para a qual este texto pretende ser um patamar, naturalmente provisório, que permita começar a delinear as tendências que os dados disponíveis sugerem relativamente à emer-gência, desenvolvimento e ocaso dos contextos que apresentam este tipo de estruturas negativas.Uma nota, porém, antes de avançar. Se o cimento desta análise é a presença de estruturas tipo fosso (definindo ou não recintos fechados), esta classe as-sim criada não deve ser percebida como correspon-dendo a uma categoria de sítios homogéneos, de sentidos uniformes e únicos, que possa ser enten-dida (e oposta a outras) de uma forma monotética. Como tenho vindo a defender, os sítios com fossos não apresentam todos a uma mesma natureza, ain-da que a partir de certa altura, enquanto fenómeno global, tendam a partilhar determinadas condicio-  336 nantes e sentidos de foro ideológico e social com ex-pressão de escala europeia. Vejamos então o que a informação actualmente dis-ponível nos diz relativamente à sua cronologia e di-nâmica diacrónica em Portugal. 2. AS DATAS E O PROBLEMA DE DATAÇÃO DOS CONTEXTOS COM FOSSOS Actualmente, dos 54 sítios com fossos da Pré--História Recente referenciados em Portugal ape-nas 10 possuem datações de radiocarbono, a que acresce mais um com uma datação de luminescência B -OSL (Tabela 1). Trata -se, pois, de um número ain-da restrito de sítios datados, sendo que para a quase totalidade destes 11 contextos a própria qualidade da informação cronológica absoluta disponível é ainda francamente insuficiente, dados os problemas que envolvem a datação destas estruturas e dada a di-mensão e pluralidade estrutural de vários dos sítios (Valera e Silva, 2011; Valera, 2013b; Valera, Silva e Márquez Romero, no prelo ).Um primeiro aspecto a considerar nestes contextos de estruturas negativas, que nos surgem frequente-mente sem relações físicas directas que permitam inferir relações de anterioridade e posterioridade, é o de que não podermos generalizar datações obtidas para uma estrutura, por vezes nem mesmo a toda essa mesma estrutura (quando se tratam de fossos que podem ter reaberturas sucessivas ou serem construídos por secções de forma aditiva). Por ou-tro lado, dada a natureza das estruturas negativas, das suas formas variadas de preenchimento (tanto naturais como antrópicas, onde materiais mais an-tigos são frequentemente incorporados nos enchi-mentos, seja de forma intencional ou aleatória) e das dinâmicas de escavação e re -escavação que apresen-tam (e que contribuem para essa mistura do novo com o mais antigo), só com séries de datações para várias secções de cada fosso poderemos aproximar--nos de forma sustentada à sua cronologia de aber-tura e sequências biográficas ( idem ), detectando e eliminando outliers . Temos, pois, que compreender o carácter prospectivo deste ensaio e o cunho ain-da fortemente limitado dos dados disponíveis, os quais, todavia, começam a sugerir linhas de força que interessa desde já sublinhar.Assim, tendo em conta os problemas acima breve-mente enunciados (para uma discussão mais deta-lhada ver Valera e Silva, 2011, Valera, 2013b e Valera, Silva e Márquez Romero, no prelo), seleccionei apenas os contextos com datas provenientes de amostras recolhidas no interior de fossos (dado que frequentemente não há garantia de absoluta con-temporaneidade entre os fossos e outras estruturas negativas que possam existir na mesma área, como é bem evidente em recintos como os Perdigões, Bela Vista 5, Horta do Albardão 3, Outeiro Alto 2, etc.), tendo igualmente excluindo as datas que nas séries existentes para um mesmo fosso se revela-ram outliers  ou se vinculam a processos posteriores aos enchimentos (Perdigões, Porto Torrão e Horta do Albardão). Deixei de fora, pois, datações obtidas para outro tipo de estruturas existentes em recintos de fossos (tipo fossas e sepulcros – como exempli-fica o caso dos Perdigões, que a par de 19 datas coe-rentes para fossos tem igualmente 14 datações para outro tipo de estruturas que aqui não foram consi-deradas – sepulcros, fossas funerárias, etc.). Como excepções, decidi integrar a Torre do Esporão (que não tem datas para os fossos e apenas uma datação de uma fossa) e a Senhora da Alegria, que para as suas fases antiga e intermédia do Neolítico também não possui datações para os enchimentos dos res-pectivos fossos, mas sim para estruturas associáveis aos momentos de construção e utilização dos mes-mos. Nestes dois casos é conveniente ter presente que estamos a assumir uma proximidade cronoló-gica entre os fossos e as estruturas datadas com base nas estratigrafias e nos registos artefactuais.Desta forma, para a análise que se segue foi utiliza-do um conjunto de 35 datas de radiocarbono (8 das quais ainda inéditas) e uma de luminescência, dis-tribuídas de forma muito díspar por 11 sítios (Tabela 1): quase metade pertencem aos Perdigões (16, abrangendo seis fossos); 4 ao Porto Torrão (abran-gendo dois fossos) e outras tantas a Jurumenha 1 (relativas ao mesmo fosso); 3 a Bela Vista 5 (dois fossos); 2 à Senhora da Alegria (dois momentos de construção de fossos); 2 a Moreiros 2 (dois fossos); finalmente 1 para cada um dos restantes sítios (S.  Jorge de Ficalho, Outeiro Alto 2, Horta do Albardão e Torre do Esporão, a que acresce a datação de lumi-nescência da Forca/Barca). As datas de rediocarbo-no (Tabela 1) foram calibradas através do programa OxCal versão 4.2, usando a curva de calibração IntCal09 (Ramsey 2013).  337 Arqueologia em Portugal – 150 Anos SítioEstruturaRef. Lab.Data BPCal 2Bib. Ref. PerdigõesFosso 5Beta -3503524390±303093 -2918InéditaPerdigões Fosso 12Beta -3300924530±403365 -3097Valera, 2012bPerdigõesFosso 6Beta -3152424450±303336 -2944InéditaPerdigõesFosso 6Beta -3183594390±303093 -2918PerdigõesFosso 3Beta -2850984050±402851 -2472 Valera e Silva, 2011PerdigõesFosso 3Beta -2850964050±402851 -2472PerdigõesFosso 3Beta -2850953980±402618 -2347PerdigõesFosso 4Beta -2850973980±402618 -2347PerdigõesFosso 4Beta -2892643940±402568 -2299PerdigõesFosso 1Beta -3157253890±302469 -2290Márquez Romero et al, 2013PerdigõesFosso 1Beta -3157233820±302454 -2144PerdigõesFosso 1Beta -3157223890±302469 -2290PerdigõesFosso 1Beta -3157213840±302459 -2202PerdigõesFosso 1Beta -3157193780±302296 -2059PerdigõesFosso 1Beta -3157203860±302463 -2209PerdigõesFosso 1 Beta -3157163770±302290 -2050 Juromenha 1FossoWk184874538±323365 -3103Mataloto e Boaventura, 2009 Juromenha 1FossoWk184884547±353368 -3103 Juromenha 1FossoBeta -1692634540±1003519 -2927 Juromenha 1FossoBeta -1692644550±403486 -3100S. Jorge de FicalhoFossoOxA -54434540±603497 -3027Soares, 1996Torre do EsporãoFossa K8 -K9Oxa -55344010±702861 -2301Gonçalves, 1990/91 Outeiro Alto 2FossoBeta -3396043920±302480 -2297Valera e Filipe, 2013Moreiros 2Fosso 3Beta -350350 4410±303310 -2917 Valera, Becker e Boaventura, 2013Moreiros 2Fosso 1Beta -3503514350±303080 -2901Porto TorrãoFosso 1Sac -22324390±503325 -2901 Valera, 2013bPorto TorrãoFosso 2Sac -20273810±502461 -2064Porto TorrãoFosso 2Sac -22333910±802619 -2141Porto TorrãoFosso 2Sac -20283700±602285 -1926Horta do Albardão 3FossoBeta2613203770±402335 -2037Santos, et alli, 2009Bela Vista 5 Fosso 2Beta -3246733810±302400 -2140InéditaBela Vista 5 Fosso 1Beta -3246743770±302290 -2050Bela Vista 5 Fosso 1Beta -3246763650±302136 -1938Senhora da AlegriaEstrutura XXBeta -3396026380±305468 -5309Senhora da AlegriaEstruturaBeta -3396014730±403636 -3376LuminescênciaBarca/ForcaFossoA6/3184327±932414 -2228Valera e Rebuge, 2008 Tabela 1  – Datas utilizadas no texto, as de radiocarbono foram calibradas com recurso ao programa OxCal versão 4.2, fazendo uso da curva de calibração IntCal09 (Ramsey 2013).
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