Caracterização e expectativas de estudantes ingressantes de um curso de graduação em enfermagem.

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   Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v. 12, n. 1, p. 01-06, dez. 2010 1 www.ccs.uel.br/espacoparasaude  CARACTERIZAÇÃO E EXPECTATIVAS DE ESTUDANTES INGRESSANTES DE UM CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM PROFILE AND EXPECTATIONS OF SOFTMORE STUDENTS OF A NURSING UNDERGRADUATE COURSE Adrielle Guerra Borges 1 , Marli T. O. Vannuchi 2 , Alberto Durán González 3 , Rafaela de Oliveira Vannuchi 4   1 Enfermeira, graduada pela Universidade Estadual de Londrina. 2 Enfermeira, Doutora em Saúde Pública, docente da Universidade Estadual de Londrina. 3 Farmacêutico, doutorando em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Londrina. 4  Graduanda em Nutrição pela Universidade do Norte do Paraná. Correspondência: Adrielle Guerra Borges  (adriefer@bol.com.br ) RESUMO Este trabalho teve como objetivo caracterizar os ingressantes do curso de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina e verificar quais são as suas expectativas em relação ao curso. Utilizou-se como instrumento de coleta de dados um questionário com questões abertas voltadas à caracterização e expectativas referentes ao curso e a universidade dos 60 estudantes aprovados no vestibular do ano de 2008. A coleta de dados ocorreu em julho de 2008. A maioria dos alunos é do sexo feminino, com idade média de 21 anos e solteiros. A área hospitalar destaca-se, frente à saúde coletiva, como a área de atuação futura esperada dos estudantes, priorizando-se os setores de alta complexidade. Como motivo de escolha do curso predomina o cuidar e a vocação. Independente da escolha pela área futura de atuação, possuem conhecimento prévio muito próximo do trabalho dos enfermeiros nestas áreas. Buscam nos diferentes cenários de estágio, espaços organizados de aprendizado, sendo que as habilidades tidas como prioritárias para a atuação do enfermeiro são a ética e o humanismo. É necessário aprofundar a discussão das expectativas dos ingressantes frente a proposta pedagógica do curso. Novos estudos devem ser realizados a fim de se visualizar a influência da graduação sobre as concepções apresentadas enquanto egressos. Descritores:  Estudantes de Enfermagem; Educação em Enfermagem; Escolha da Profissão. ABSTRACT The purpose of this paper is to know the profile of nursing undergraduate softmore students at Londrina State University and to identify their expectations towards the course. Data were collected in July 2008 using a questionnaire with open questions regarding their profile and expectations towards the course and the university. Sixty students that were approved in the year of 2008 were interviewed. Most students were female, with mean age of 21 years-old and single. Most expect to work in the hospital area compared to community health, mainly in high complexity wards. The motivation for choosing nursing was mostly the sense of “caring for” and “calling”. Regardless of area of work, they all have previous knowledge very close to nursing practice. They expect the internship scenario will provide organized learning spaces, highlighting ethics and humanism as priority skills. It is necessary to deepen the discussion into softmore students´ expectations towards the pedagogic principles of the course. New studies should be done to visualize the influence of undergraduate courses over the conceptions the students present when they graduate.   Key words:   Students, Nursing; Education, Nursing; Career Choice.  Estudantes ingressantes de enfermagem. Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v. 12, n. 1, p. 01-06, dez. 2010 2 www.ccs.uel.br/espacoparasaude  INTRODUÇÃO Apesar de mais de vinte anos de existência do Sistema Único de Saúde (SUS) observa-se que a prática e o ensino de muitas universidades com cursos da área de saúde tende ao conservacionismo do modelo preconizado por Flexner no início do século XX. Este modelo foi rapidamente incorporado pelas universidades brasileiras e se caracteriza por sua forte perspectiva biologicista, curativa, especializada e voltada para o uso de medicamentos e para a área hospitalar  1 . A prática deste modelo, com pouca ênfase na prevenção e promoção da saúde e com o predomínio de cenários de aprendizagem em ambientes hospitalares de alta complexidade, pode exercer influência na postura acadêmica dos estudantes ingressantes em cursos da área da saúde no sentido de despertarem maior interesse por atividades em áreas especializadas e hospitalares, em detrimento às atividades de aprendizagem que possuem como cenários a atenção básica e os serviços de média complexidade 1-2 . O curso de graduação de enfermagem da Universidade Estadual de Londrina (UEL) foi fundado em 1971 e já passou por seis mudanças curriculares. O currículo atual, Currículo Integrado, foi implantado em 2000 e se fundamenta nas seguintes diretrizes: na concepção pedagógica crítica e reflexiva; na análise do fenômeno em sua totalidade; na concepção de homem como ser histórico-social; no equilíbrio entre vocação técnico-científica e humanista; na organização integrada dos conteúdos; na integração teoria e prática; na interdisciplinaridade e na a integração entre ensino, serviço e comunidade. A opção metodológica utilizada pelo curso é a problematizadora, onde o aluno é o cidadão que constrói seu conhecimento e é responsável pelo desenvolvimento de suas competências técnicas, políticas e éticas de forma ativa e crítica. Os cenários de aprendizagem ao longo do curso contemplam ambientes da rede de atenção básica, média e alta complexidade 2-3 . Na área da saúde, o foco das atividades são as pessoas, mostrando que o processo de trabalho é pautado no contato humano e na relação entre estes. Neste contexto, a universidade tem como responsabilidade formar cidadãos capazes de deter um conhecimento científico, técnico e humanitário, a fim de conseguir solucionar problemas e buscar soluções para suas próprias demandas. A sociedade de modo geral, valoriza mais o modelo de assistência em que exista o predomínio de especialidades, equipamentos sofisticados e medicamentos. Como membro desta sociedade, estudante do curso de graduação em Enfermagem da UEL e sendo formada pela proposta do Currículo Integrado, despertou-nos o interesse estudar quem são os ingressantes do curso de Enfermagem da UEL e quais são as suas expectativas em relação ao curso. MÉTODOS Trata-se de um estudo transversal exploratório, desenvolvido no Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Londrina tendo como população todos os estudantes que ingressaram no curso de Enfermagem em 2008. Como instrumento de coleta de dados, foi aplicado um questionário no mês de julho de 2008 com questões fechadas para caracterização da população e questões abertas voltadas a identificar as expectativas desses alunos relativas ao curso. O questionário foi testado com estudantes da segunda série do curso de enfermagem tendo suas questões redefinidas após o teste. As variáveis de caracterização eram: sexo, idade e situação conjugal. Os estudantes também foram questionados quanto: ao porque da opção pela UEL, pela enfermagem, à futura área de atuação (área de saúde coletiva ou hospitalar), à concepção sobre o trabalho do enfermeiro nas duas áreas, às habilidades essenciais para atuação do enfermeiro, aos cenários de estágio e à distribuição da carga horária do curso entre as duas áreas de atuação. Os questionários foram entregues a todos os estudantes da primeira série do curso. Os questionários não eram identificados e os estudantes os entregavam anonimamente. A pesquisadora responsável visitou, em três oportunidades, as salas de aula em que os estudantes do primeiro ano estavam em aula para recolher os questionários com o docente responsável pela sala. As respostas foram categorizadas por aproximação temática e quantificadas para posterior processamento. Posteriormente, foram digitadas e tabuladas em um banco de dados do programa Microsoft Office Excel ®  e os resultados apresentados em forma de gráficos e tabelas. O estudo foi analisado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Londrina – CEP/UEL e aprovado sob o parecer nº 078/08 e todos os participantes assinaram o termo de Consentimento Livre e Esclarecido.  Borges AG, Vannuchi MTO, González AD, Vannuchi RO.   Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v. 12, n. 1, p. 01-06, dez. 2010 3 www.ccs.uel.br/espacoparasaude  RESULTADOS A população estudada constituiu-se de 52 estudantes da primeira série do curso de enfermagem. Dos 60 aprovados no vestibular, cinco estudantes haviam desistido do curso e três estudantes não foram encontrados em nenhuma das três vezes que a entrevistadora esteve em sala de aula para a coleta dos dados. A população de pesquisa caracterizou-se como: 86% do sexo feminino, solteira (96%) e com uma média de idade de 21 anos. Encontrou-se que 75% dos estudantes optaram pelo curso de Enfermagem da UEL por ser uma universidade pública e o curso ser bem conceituado. A maioria dos estudantes (60%) teve o curso de enfermagem como primeira opção de curso no vestibular. Para os que afirmaram terem optado, inicialmente, por outros cursos, houve predomínio dos cursos da área da saúde, com destaque para os cursos de medicina, fisioterapia e farmácia. Quando questionados sobre o motivo que os levou a decidirem pelo curso de enfermagem, 44% afirmaram que foi para ajudar e cuidar de pessoas; 37% por vocação e afinidade ao curso; 13% por ser uma profissão bonita e gratificante e 6% referiram influência de parentes. Os ingressantes apresentaram preferência de atuação futura na área hospitalar (75%). A saúde coletiva representou 21% das respostas. Apenas 4% dos ingressantes não apresentaram preferência por alguma área. Os estudantes que pretendem atuar na área hospitalar demostraram interesse pelos setores de: Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Pronto Socorro (PS) e Pediatria. Dos que optaram pela saúde coletiva, houve um predomínio de interesse em atuar em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e apenas uma pessoa gostaria de atuar no nível central da Secretaria de Saúde. A Figura 1 apresenta a concepção dos que esperam atuar na área hospitalar sobre o tipo de trabalho que o enfermeiro desenvolve nas unidades hospitalares. Destacaram-se nas respostas o cuidar da higiene e conforto do paciente (37%) e o prestar socorro (23%). Observa-se também, que 18% dos entrevistados não sabem o tipo de trabalho do enfermeiro no hospital.   Figura 1 -   Concepção sobre o trabalho dos enfermeiros em unidades hospitalares pelos ingressantes do curso de enfermagem que optaram pela área hospitalar, Londrina - PR, 2008. A Figura 2 apresenta a concepção que os estudantes possuem sobre o trabalho dos enfermeiros em Unidades Básicas de Saúde (UBS).  Estudantes ingressantes de enfermagem. Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v. 12, n. 1, p. 01-06, dez. 2010 4 www.ccs.uel.br/espacoparasaude  Figura 2 -   Concepção sobre o trabalho dos enfermeiros em UBSs pelos ingressantes do curso de enfermagem que optaram pela saúde coletiva, Londrina - PR, 2008. Como se percebe na Figura 2, houve predomínio da atuação do enfermeiro na equipe de saúde da família (28%) e da coordenação da UBS (24%). Quando questionados sobre a divisão da carga horária do curso em relação à saúde coletiva e hospitalar, houve uma predominância das respostas que afirmaram ser necessária a divisão igualitária entre os módulos, totalizando 60% das respostas, 19% gostariam que a área hospitalar contasse com uma maior carga horária, 8% gostariam que fosse destinado mais tempo para a saúde coletiva. Destaca-se que os ingressantes que gostariam que fosse destinado maior tempo à saúde coletiva referiam, em sua maioria, que pretendem atuar futuramente em unidades hospitalares. Do restante, 8% não responderam e uma minoria (5%) afirmou gostar da divisão da carga horária que o curso oferece. Quando questionados sobre as expectativas nos diferentes cenários de estágios durante a graduação, 41% mencionaram que os cenários de atuação para estágios constituam-se em verdadeiros espaços de aprendizagem. Os ingressantes esperam que os estágios sejam organizados (19%); que os campos de estágio sejam receptivos (16%); que os profissionais do campo de estágio valorizem os estudantes (16%) e 8% esperam encontrar um predomínio de harmonia entre os atores presentes nos campo de estágio. A ética e o humanismo foram elencados como habilidades prioritárias para a formação do enfermeiro, independente de sua área de atuação. DISCUSSÃO O perfil dos estudantes ingressantes no curso de enfermagem da UEL assemelha-se ao de outros estudos, havendo predominância do sexo feminino, solteiros e com idades entre 18 e 22 anos 4-8 . A escolha pela UEL e pelo curso de enfermagem pode ter sido influenciada pela classificação do curso na avaliação realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anisio Teixeira 9 , no ano de 2008. Nesta ocasião, o curso de enfermagem da UEL obteve nota cinco, nota máxima na escala de pontuação do estudo. A escolha pelo curso de enfermagem aparece na maioria dos respondentes como sendo a sua primeira opção no vestibular, porém, existe uma porcentagem significativa dos que analisaram outros cursos antes de escolher a enfermagem. Um dos motivos para essa dúvida pode ser o fato de a maioria dos ingressantes serem muito jovens e ainda imaturos para decidirem sobre o seu futuro. Estudo da área de psicologia 10  analisou que o processo de escolha da profissão está intimamente relacionado com a adolescência. Em muitos casos este período se caracteriza como turbulento e de identificação com a própria identidade, onde o indivíduo precisa definir a carreira profissional que seguirá 10 . Destaca-se que cinco alunos optaram por  Borges AG, Vannuchi MTO, González AD, Vannuchi RO.   Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v. 12, n. 1, p. 01-06, dez. 2010 5 www.ccs.uel.br/espacoparasaude  abandonar o curso no primeiro semestre, o que pode estar relacionado à opção secundária pelo curso. Estudo realizado com estudantes do curso de enfermagem da Escola de Enfermagem de São Paulo encontrou que 76,6% dos pesquisados haviam prestado vestibular anteriormente para outro curso 7 . Quanto às razões da escolha do curso, houve predomínio da vontade de cuidar de pessoas e da vocação, considerando que a enfermagem possui como característica norteadora a habilidade de cuidar e é fortemente vista pela própria sociedade como uma vocação. Ressalta-se ainda que os profissionais que atuam na área podem ser úteis ao próximo, solidários e educadores, disseminando o cuidado com a saúde das pessoas 4 . Observou-se que a maioria dos estudantes optou por atuar, futuramente, na área hospitalar com ênfase nos setores de alta complexidade como Unidade de Terapia Intensiva e Pronto Socorro. A crença de que quanto maior a tecnologia aplicada, melhor o cuidado e mais competente é o profissional, traz em seu bojo a garantia de maior status social dentro da profissão. Essa percepção está associada ao trabalho dentro dos hospitais que é caracterizado como de cunho intelectual, tecnicista, centrado na figura médica com finalidades diagnósticas e curativas 11 . Esse modelo dificulta a participação ativa do usuário na definição de seu tratamento. Apesar das iniciativas por mudança do modelo de assistência a saúde do país, o modelo biomédico ou mecanicista se faz muito presente nos dias atuais 12 , reforçando a crença da população pela busca da medicalização, assistência hospitalar e tecnologia para “curarem” suas enfermidades. Em relação ao trabalho desenvolvido pelo enfermeiro nas diferentes unidades de serviço, coletivas e hospitalares, nota-se, ao contrário do encontrado em outro estudo 13 , que os alunos ingressantes possuem uma noção muito próxima das habilidades e atribuições desses profissionais, sendo dado, porém, pouca ênfase na questão de gerência que o enfermeiro exerce na área hospitalar. Destaca-se que os alunos que possuem preferência pelas unidades hospitalares consideram o cuidado com a higiene e conforto a habilidade mais presente nos enfermeiros dessas unidades. Além da influência do modelo tecnicista sobre o curso, há que considerar que os estudantes trabalham competências próximas à estas habilidades na primeira série do curso. Entretanto, essas habilidades são trabalhadas de maneira articulada com competências de gerência de serviços de enfermagem e, portanto deveriam expandir a visão quanto à atuação do enfermeiro para a integralidade e não para a técnica usada em cada ação de cuidado 14 .   Para os estudantes que disseram preferir trabalhar no futuro na atenção básica, apesar de ser um percentual bem menor quando comparado àqueles que preferem a área hospitalar, a maioria referiu que irão trabalhar em Unidades de Saúde da Família e em cargos de coordenação. Esse resultado mostra que a Estratégia Saúde da Família (ESF) está se estruturando cada vez mais como uma estratégia de mudança do modelo tradicional, tendo como núcleo a família, partindo do seu ambiente físico e social e assim melhorar a qualidade de vida das pessoas. Porém, a mudança de modelo de acordo com os preceitos do ESF, na prática, demora a se concretizar porque implica na mudança dos processos de trabalho, sejam eles no âmbito da atenção básica ou hospitalar. Nesse sentido é preciso que os cursos de graduação da área da saúde aproximem o perfil de seus egressos dos preceitos do Sistema Único de Saúde com foco na atenção básica. Quando solicitados à priorizar as habilidades necessárias aos enfermeiros, considerou-se muito positivo o fato dos ingressantes considerarem a ética e o humanismo como uma postura/atitude prioritária que o enfermeiro deve possuir. Este resultado pode demonstrar a conscientização desses alunos, independente da área futura de atuação, sobre as atribuições técnicas do enfermeiro que podem ser desenvolvidas a  posteriori   quando existir como alicerce a ética e o humanismo. A visão de humanismo é baseada em colocar-se no lugar do outro, trabalhar de maneira a conseguir derrubar barreiras sociais, culturais e de doenças; sendo o princípio da dignidade humana como direito de todos garantido pela Constituição Federal 8 . CONCLUSÃO O perfil dos estudantes ingressantes constitui-se como sendo 86% do sexo feminino, solteiros (96%), com uma média de idade de 21 anos. Sendo o curso de enfermagem a primeira opção para a maioria dos entrevistados. O cuidar e a vocação destacam-se como os principais motivos da escolha do curso de enfermagem.
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