Análise Econômica e Geográfica da Macrorregião Oriental Africana: A Cultura como construção e afirmação do Estado

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  Universidade Federal de Santa Maria Centro de Ciências Naturais e Exatas Departamento de Geociências GCC 147 Geografia da População Mundial  Acadêmicos: Roberto Rodolfo Georg Uebel e William Häuss Gaida Curso: Ciências Econômicas e Geografia - Bacharelado  Análise Econômica e Geográfica da Macrorregião Oriental  Africana: A Cultura como construção e afirmação do Estado    Ao analisarem-se os dados de população desnutrida, veículos motorizados por mil habitantes, população que tem acesso a fontes de água tratada e renda  per capita  anual dos países selecionados na macrorregião da África Oriental, Chifre da África e Sul da Península  Arábica, pode-se inferir uma região semelhante nos aspectos macroeconômicos e completamente paradoxais nos índices de pobreza e desenvolvimento humano, que serão abordados no decorrer da presente análise e serão comparados principalmente na relação concomitante das ciências geográficas e econômicas. Para a análise detalhada e completa dos dados, a macrorregião estudada fora dividida em três partes: África Oriental, Chifre da África e Sul da Península Arábica; compostas cada uma pelos seguintes países: Egito, Sudão, República Democrática do Congo, Ruanda, Burundi, Uganda, Quênia e Tanzânia para a primeira parte; Somália, Etiópia, Djibouti e Eritréia para a segunda; Iêmen, Omã e Arábia Saudita para a terceira, encerrando-se assim as três divisões macro culturais e econômicas. Todavia, devido a constante remodelação global de fronteiras e governos, os acadêmicos optaram por analisar também a República da Somalilândia, que vem recebendo destaque internacional nas maiores publicações da área geográfica  –  National Geographic  –  e econômica internacional  –  Newsweek  –  devido sua independência proclamada e sua complexa diferença em comparação à Somália. Além de seu destaque internacional, vale-se do seu estudo, pois a Somalilândia já possui reconhecimento e status  diplomático oficial com países como Reino Unido, Bélgica, África do Sul e Suécia, além de amplos contatos econômicos e diplomáticos com a União Europeia e União Africana. Sendo assim, seu estudo faz-se necessário no meio acadêmico pela sua indiscutível possibilidade de tornar-se a centésima nonagésima terceira nação da Organização das Nações Unidas. Assim, os acadêmicos incluirão seus dados na região do Chifre da África.  Ao começar-se a análise da África Oriental, representada aqui nesta apreciação por oito países, majoritariamente colonizados pelo Reino Unido e Bélgica, desde o período quinhentista com a busca de escravos e bens de capital e consumo, vale-se apreciar sua diferenciação das nações ocidentais do continente africano, que sofreram uma exploração semelhante, porém,  apresentam índices de desenvolvimento menor. Tal fato deve-se à distância de ditas nações ao oceano atlântico, visto que apenas três países possuem acesso ao mar  –  Tanzânia e Quênia  –  as duas primeiras ao Oceano Índico, e o Egito ao Mar Mediterrâneo, o que dificultava inicialmente as rotas de comércio internacionais mercantilistas. Outro fato que se deve ao precário e tardio desenvolvimento dessa parte estudada, é o desinteresse global na região, formada por diversas tribos autóctones e de constante tensão e disputas territoriais, que dificultam o interesse de capital estrangeiro. Egito e Quênia excluem-se desse paradoxo, por apresentarem altos índices de incentivo ao turismo e prestação de serviços, o que por si só eleva a Balança de Serviços dos mesmos, e aumenta consideravelmente sua Balança de Pagamentos em transações correntes anuais. Relacionando estes aspectos macroeconômicos à ciência geográfica, vai-se direto a formação do espaço e sociedade dessas oito nações semelhantes quanto à formação social e cidadã de sua população, tendo o árabe, inglês e francês como línguas predominantes, cria-se de fato uma dificuldade de identificação nacional, que implica diretamente na infraestrutura educacional do país, comprovando-se esses números nas estatísticas de analfabetismo. Essa falta de infraestrutura não se observa somente no setor educacional, mas também no setor de subsistência aquífera e alimentícia. Comparando-se as três partes estudadas, observa-se que a  África Oriental encontra-se apenas atrás do Sul da Península Arábica nos índices de desnutrição e acesso a água tratada, devendo-se ao fato, como já citado acima, do incentivo ao turismo internacional  –  onde se exige um padrão de subsistência  –  e devido às fontes de água e alimentação, visto que tais nações encontram-se em uma região privilegiada do continente africano e apresentam algumas das maiores fontes aquíferas do mundo, como por exemplo, o Rio Nilo e o Lago Victoria. O genocídio em Ruanda, as tenções políticas no Quênia, a reunificação das duas Tanzânias e a instabilidade política e social no Sudão são pontos de referência para o estudo dessa região, que afeta principalmente o contexto político e econômico regional. Embora alguns conflitos ainda persistam de forma localizada, a renda  per capita  encontra-se a nível médio-alto em comparação às demais nações africanas, o que se comprova também pelo aumento  –  embora pequeno, porém anual  –  da frota de veículos de cada país da África Oriental. Devido ao seu tardio desenvolvimento e apontamento de interesse de investimento de capital estrangeiro, a região da África Oriental ainda enfrenta diversos problemas socioeconômicos que são resolvidos vagarosamente, porém, com constante observação internacional de conflitos e estabilidade política. O Brasil possui fortes laços comerciais com o Egito e Quênia, e também envia missionários religiosos para países como República Democrática do Congo e Ruanda, todavia, não há interesses brasileiros de desenvolvimento e aplicação de capital de giro na região, visto que suas economias já são regidas em sua totalidade pelo Reino Unido, Arábia Saudita, União  Europeia e África do Sul, consolidando-se como uma região de investimento internacional já definido e de riquezas garantidas.  Adentra-se agora na região mais crítica e midiática do continente africano durante os últimos anos, a região do Chifre da África, composta nesta análise por Somália, República da Somalilândia (reconhecida de facto ), Djibouti, Eritréia e Etiópia. Para defini-lo didaticamente, valem-se as palavras de Lúcia Marina Alves de Almeida e Tércio Barbosa Rigolin: “Etiópia e Somália, situadas na estratégica região denominada “Chifre da África”, lutaram ferozmente durante anos pela posse da região de Ogaden. Hoje experimentam uma trégua que não se sabe quanto tempo vai durar. A importância estratégica do Chifre da África vem de sua localização na  passagem do oceano Índico para o mar Vermelho, rota internacional do petróleo vindo do Oriente Médio, e nas proximidades de uma das regiões mais instáveis do mundo em termos de conflitos étnicos e religiosos.”    Todavia, hoje já se observa uma contradição à trégua citada pelos dois autores, visto os constantes ataques de piratas a embarcações e navios comerciais que por lá transitam. Da instabilidade srcinada no sul da Somália, tornou-se independente a região noroeste do país, criando uma nação economicamente e politicamente estável que vem alcançando altos índices de crescimento e desenvolvimento em comparação com sua alma mater  , a Somalilândia vem ganhando destaque internacional por receber apoio de seus vizinhos e de lideranças internacionais, num ato que levou a superar todas as dificuldades encontradas na Somália. O ceticismo diante das perspectivas da Somália foi brevemente aliviado no início de dois mil e nove quando a retirada das tropas etíopes reanimou a esperança de que cessariam os movimentos rebeldes. Todavia, este ato tornou-se incapaz para acabar com a instabilidade na região, ao passo que piratas e terroristas tomam conta do poder local da capital Mogadíscio. Enquanto a paz reina em parte da região separatista da Somalilândia, ao norte, as milícias islâmicas lutam para assumir o controle do sul do país, e os piratas prosperam na costa da semiautônoma região de Punt. O conflito e a seca geraram uma catástrofe humanitária  –  mais de um milhão de pessoas deixaram suas casas; 3,5 milhões dependem de alimentos  –  daí se verifica no mapa a questão de nutrição e acesso à água tratada. Essa questão contribui assim para a compreensão geral da região do Chifre da África, que possui poucos parceiros locais e quase nulo o investimento de capital externo, sendo assim, implica diretamente no seu atraso econômico e primitivo sistema político, observados nos índices de veículos automotores e renda  per capita  no Cuadro de datos de la población mundial 2008  . Parte-se agora para a última região a ser analisada neste complexo regional: o Sul da Península Arábica, constituído neste estudo pela Arábia Saudita, Iêmen e Omã. Três países de fundamental importância para o capitalismo global-informacional por sua atuação no ramo petrolífero e como vias de escoamento ao ocidente do petróleo extraído no Oriente Médio.   Analisando-se apenas estes três países, já se observa sua maioridade nos índices  per capita , possessão de veículos automotores, e índices de água tratada e desnutrição, criando-se assim um paradoxo às demais regiões analisadas anteriormente. Apenas pelo fato do petróleo caracterizar-se a peça chave de investimento de capital externo, já se infere essas diferenças gritantes com o continente africano, por conseguinte, a Arábia Saudita é um dos maiores exportadores de petróleo do mundo e também um dos maiores regimes islâmicos, ao lado de Omã e Iêmen, países altamente fundamentalistas e com grande aversão ao tradicional mundo americanizado, também contestado pelo doutor em geografia Milton Santos, ao tratar do seu globalitarismo. Esse desenvolvimento superior agraciado no Sul da Península Arábica também se deve ao fato de uma cultura própria, aspecto que deve muito ser observado na constituição de qualquer Estado-nação, na sua criação e afirmação de identidade. Como citado anteriormente, os Estados africanos foram em sua totalidade colonizados e obrigados a suprimir sua cultura diversificada, o que não acontecera com Omã, Iêmen e Arábia Saudita, países de gens  arábica e forte presença oriental em seus costumes e tradições. Não se deve negar jamais que a construção de um estado pela via cultural não tem importância e influências sobre a subjetividade do espaço e sociedade. Um Estado com cultura própria e laços de tradição afirmados, tende em sua totalidade ao progresso econômico e social, conforme observado nas obras de Engels e David Ricardo. Em suma, o desenvolvimento social, econômico e a construção do espaço geográfico das três regiões analisadas faz-se de constante e importante presença todavia, o aspecto mais necessário na construção, afirmação, crescimento econômico e desenvolvimento sustentável de uma nação é a construção e conhecimento cultural da sociedade em questão, pois, jamais se constituirá um Estado soberano em todas suas esferas, sem uma cultura própria e tradições conhecidas por todo seu povo. Há a necessidade de sair-se do discurso pré-concebido de que a educação ou as concessões sociais é que constrói uma nação, e sim aplicarem-se tais conceitos na prática econômica e geográfica nacional, constituir uma base cultural, um reconhecimento, uma identidade cultural e tradicional que una todos os cidadãos a uma criação nacional. A unificação de tribos opostas e ocidentalização da Península Arábica foram de grande dolo à institucionalização de tais Estados ao ponto de chegarem a conflitos entre seus concidadãos autóctones e a desordem generalizada. Isso prova a tese de que a identificação e seu reconhecimento de um povo é que realmente cria as bases de uma nação sólida, a título de exemplo, as mais diversas nações europeias, que na diversidade e pluralidade, sem um colonialismo interno, levaram a criação da União Europeia, exemplo global de integração da diversidade para fins econômicos e políticos.   Referências Bibliográficas  ALMEIDA, Lúcia Marina Alves de; RIGOLIN, Tércio Barbosa. Fronteiras Econômicas: As marcas das desigualdades: África. In: ALMEIDA, Lúcia Marina Alves de; RIGOLIN, Tércio Barbosa. Fronteiras da Globalização: Geografia Geral e do Brasil. São Paulo: Ática, 2004. Cap. 34, p. 309-316. BRENNEMANN, Ralf; RB-DESKKART; MEDIENSERVICE, Schirmer. Map of Africa: Map of the world political. Disponível em: <http://www.welt-atlas.de/map_of_africa_map_of_the_world_political_0-9021>. Acesso em: 05 dez. 2009. DRAPER, Robert. Somália Devastada. National Geographic Brasil , São Paulo, n. 114, p.118-143, set. 2009. Mensal. EDITORIAL SOL 90 (Ed.). Grande Atlas Universal:  África. Barcelona: Editorial Sol 90, 2004. 96 p. (Volume 6). ENGELS, Friedrich. Barbárie e civilização. In: ENGELS, Friedrich. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. 11. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1987. Cap. 9, p. 177-201. (Ciências Sociais). HUNT, E. K.. David Ricardo: A Teoria das Vantagens Comparativas e o Comércio Internacional. In: HUNT, E. K.. História do Pensamento Econômico: Uma perspectiva crítica. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. Cap. 5, p. 112-114. POPULATION REFERENCE BUREAU. Cuadro de datos de la población mundial 2008. Washington: Population Reference Bureau, 2008. 16 p. URHOBO HISTORICAL SOCIETY. A Map of Africa Showing Countries:  And Ajoinning Countries in Europe and Middle East. Disponível em: <http://www.waado.org/NigerDelta/Nigeria_Facts/NigerianMaps/Africa_PoliticalMap.html>. Acesso em: 05 dez. 2009.
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