Análise de construção de sentido em redes digitais: a política das diferenças no caso da Rede Ninja de Opinião ANALYSIS OF CONSTRUCTION OF MEANING IN DIGITAL NETWORKS: THE POLITICS OF DIFFERENCES IN THE CASE OF REDE NINJA DE OPINIÃO

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This paper analyzes a specific case within a research project that investigates the production and circulation of journalistic contents by Brazilian media collectives since August 2015. Mapping of the collective indicates that issues of gender, race

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  1 Comunicação & Inovação, PPGCOM/USCS v. 19, n. 39 (1-17) jan-abril 2018 A RTIGO  O RIGINAL 1 Análise de construção de sentido em redes digitais: a política das diferenças no caso da Rede Ninja de Opinião ANALYSIS OF CONSTRUCTION OF MEANING IN DIGITAL NETWORKS: THE POLITICS OF DIFFERENCES IN THE CASE OF REDE NINJA DE OPINIÃO  Maria Clara Aquino Bittencourt Doutora e mestre em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Pós-doutorada pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos.E-mail: aquino.mariaclara@gmail.com Christian Gonzatti Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos.E-mail: christiangonzatti@gmail.com Recebido em 12 de setembro de 2017. Aprovado em 6 de fevereiro de 2018. Resumo Este artigo analisa um caso especíco dentro de um projeto de pesquisa que investiga a produção e a circulação de conteúdos jornalísticos por coleti-vos midiáticos brasileiros, desde agosto de 2015. O mapeamento dos coletivos indica que questões de gênero, raça e sexualidade recebem destaque em al-guns dos grupos analisados. Desde março de 2017, o coletivo Mídia Ninja vem constituindo a Rede  Ninja de Opinião. Aqui investigamos a formação dessa rede por meio do método de análise de cons-trução de sentidos em redes digitais, consideran-do três colunas publicadas no site e na  fanpage  do coletivo no Facebook para identicar os sentidos acionados e mostrar como o coletivo estimulou a  produção de sentido pelas redes digitais. Palavras-chave: Jornalismo digital. Análise de construção de sentido. Rede Ninja de Opinião. Coletivos midiáticos. Sites de redes sociais.  Comunicação & Inovação, PPGCOM/USCS v. 19, n. 39 (1-17) jan-abril 2018 2   2  Maria Clara Aquino Bittencourt & Christian Gonzatti Introdução  No Brasil, o fortalecimento do que chamamos de coletivos midiáticos vem acontecendo desde os protestos de junho de 2013. Amparados em estratégias de co- bertura midiática voltadas para a produção e a difusão de conteúdos sobre atos e mo- bilizações que acontecem nas ruas, grupos desvinculados da mídia de massa utilizam diferentes ferramentas de comunicação digital para colocar em circulação conteú-dos que são pouco, ou quase nada, divulgados por veículos jornalísticos de maior visibilidade no cenário midiático nacional. Partimos da perspectiva de que a midia-tização do ativismo, atrelada às noções de convergência e espalhamento (AQUINO BITTENCOURT, 2015), permite-nos articular análises sobre as atividades de cobertu-ra empreendidas por esses grupos, e é por meio desse mecanismo básico de investiga-ção que atuamos dentro de um projeto de pesquisa que estuda a atividade de coletivos midiáticos desde agosto de 2015.Desde então, construímos um mapeamento de coletivos brasileiros que vêm se sobressaindo no cenário de cobertura jornalística das questões políticas do país, obser-vando, ao longo dessa trajetória, a atenção que questões de gênero, raça e sexualidade recebem em alguns dos grupos analisados. Desde março de 2017, o coletivo Mídia Ninja, que se destaca nas análises realizadas pelo grupo envolvido no projeto, diante da repre-sentatividade atingida, vem anunciando uma série de novos colunistas. Chamada de Rede  Ninja de Opinião, a leva de escritores é bem ampla e formada por pessoas de característi- cas bastante diversas. São guras públicas que transitam por diferentes setores da socie -dade, mas que, de modo geral, defendem posicionamentos de esquerda e relacionados aos Abstract This paper analyzes a specic case within a research  project that investigates the production and circulation of journalistic contents by Brazilian media collectives since August 2015. Mapping of the collective indicates that issues of gender, race and sexuality are highlighted in some of the groups analyzed. Since March 2017, the collective  Mídia Ninja  has been constructing the  Rede Ninja de Opinião . Here, we analyze the formation of this network through the method of analysis of construction of meaning in digital networks by using three columns published on the site and the fanpage of the collective on Facebook in order to identify the meanings triggered and show how the collective stimulated the production of meaning through digital networks. Keywords:  Digital journalism. Analysis of mea-ning construction. Rede Ninja de Opinião. Media collectives. Social networking sites.  3 Comunicação & Inovação, PPGCOM/USCS v. 19, n. 39 (1-17) jan-abril 2018Análise de construção de sentido em redes digitais direitos humanos. Alguns possuem liação partidária e até exercem mandatos eletivos, outros apenas declaram anidades político-ideológicas. Alguns são jornalistas, outros, celebridades, entre diversas características que compõem a extensa lista de colaboradores que vem sendo apresentada nas mídias digitais do coletivo.Este artigo tem como principal objetivo analisar o movimento de criação da Rede  Ninja de Opinião  ,  dentro do conjunto de estudos já em andamento sobre os processos de  produção e circulação de conteúdos midiáticos a respeito da conjuntura política do Brasil. Partindo do método de análise de construção de sentidos em redes digitais, desenvolvi-do em pesquisas do Laboratório de Investigação do Ciberacontecimento (LIC) (HENN, 2014), avaliamos três textos publicados por colunistas do coletivo para identicar os sen -tidos acionados no site e no Facebook do Mídia Ninja. Com esse processo pretendemos mostrar como o Mídia Ninja estimulou a produção de sentido por meio das colunas publi-cadas em seu site e compartilhadas na sua  fanpage . Produção e circulação de conteúdos por coletivos midiáticos Pela premissa de midiatização do ativismo que embasa nossas investigações, en-tendemos que mais do que pensar os modos de organização de protestos e mobilizações articulados por intermédio das redes digitais, o que merece a nossa atenção são as for-mas pelas quais se desenrolam as ações que reportam as atividades dos movimentos em rede. Gohn (2010, 2014) nos fornece a sustentação teórica que garante o avanço nessa discussão, a qual reforça o olhar para o instrumento comunicacional não apenas como ferramenta de organização, mas como aparato que assegura a função do dispositivo de comunicação enquanto elemento informativo no cotidiano dos movimentos.A noção de midiatização é semeada já nos alicerces do projeto para tratar de algo que não é recente, mas que foi potencializado pela digitalização de processos de produ-ção e circulação de conteúdo. Braga (2012) nos auxilia a partir de argumentações sobre o atravessamento dos campos sociais especícos, que tem como consequências situações indeterminadas e experimentações correlatas. Fausto Neto (2008) relata a disseminação de novos protocolos técnicos na extensão da organização social e a intensicação de pro -cessos que transformam tecnologias em meios de produção, circulação e recepção de dis-cursos. A noção de midiatização apresentada pelo autor se baseia na ideia de apropriação, que intensica a conversão de tecnologias em meios. Essa conversão é cadenciada por apropriações sociais, de modo que a midiatização é a atividade que ultrapassa o domínio dos meios em si, expandindo-se ao longo da organização social e conferindo-lhe uma nova dinâmica. Questões fundamentais a respeito da interferência dos meios na cultura e  Comunicação & Inovação, PPGCOM/USCS v. 19, n. 39 (1-17) jan-abril 2018 4   4  Maria Clara Aquino Bittencourt & Christian Gonzatti na sociedade decorrem da midiatização. Nesse sentido, Hjarvard (2014) trabalha com o entendimento de que a inuência da mídia acontece não só sobre as sequências comuni -cativas entre os atores sociais e as mensagens, mas também na relação entre os meios e as outras esferas sociais. No contexto dos movimentos em rede (CASTELLS, 2012) e das coberturas rea-lizadas pelo Mídia Ninja concomitantemente ao que é produzido pelos veículos de mas- sa, a reexão que o projeto tem promovido sobre os processos de produção e circulação de conteúdos midiáticos por essa pluralidade de atores revela grande multiplicidade de sentidos. De modo que, no caso da Rede Ninja de Opinião, tem-se um exemplo relevante a ser observado e investigado para que se compreenda como o grupo busca  promover, além da transmissão de opinião sobre diversos temas nas redes, a circulação de sentidos mediante o aproveitamento das características do ambiente on-line. Os con-ceitos de espalhamento (JENKINS; GREEN; FORD, 2013) e convergência (AQUINO BITTENCOURT, 2017), também norteadores do projeto, encaixam-se na condução des-ta observação, pois levam em conta os objetivos de propagação que o coletivo visa ao  publicar os conteúdos das colunas no site e nas mídias sociais, ao mesmo tempo que colocam em discussão a forma como o Mídia Ninja seleciona e organiza a publicação desse conteúdo nos espaços midiáticos que utiliza, gerando reexões que vão além das  possibilidades técnicas exploradas com o uso das plataformas e ferramentas digitais. A  produção e a circulação de informação promovidas pelo coletivo por meio dessas apro- priações geram desdobramentos sociais e culturais que podem ser averiguados a partir do formato dos conteúdos e dos sentidos que se srcinam com da publicação desses formatos. Em análises anteriores observamos os níveis narrativo, estratégico e técnico desses processos (AQUINO BITTENCOURT; GONZATTI, 2017). Dessa vez, o objeti-vo é atentar para o acionamento de sentidos em torno dessa carga de conteúdo opinativa que vem sendo gerada pela rede de colunistas do coletivo. Coelho (2017), ao analisar a maneira como os jornais lidam com os comentários dos leitores, destaca que, com a internet, novos modos de relacionamento são gerados, tanto em termos interpessoais como entre os diferentes campos sociais. A observação do autor, nesse sentido, é útil  para pensarmos o quanto esse atravessamento entre campos pode estimular a produção de sentidos por atores que circulam por diferentes espaços acionados pelos coletivos. Resta-nos avaliar se as narrativas construídas nas colunas geram uma semiodiversidade (HENN, 2014) que condiga com o ideal de democracia que coletivos como o Mídia  Ninja esperam produzir em um meio como a web, valendo-se do uso de ferramentas de comunicação digital na tentativa de criar uma narrativa diversa ou um uxo informativo  5 Comunicação & Inovação, PPGCOM/USCS v. 19, n. 39 (1-17) jan-abril 2018Análise de construção de sentido em redes digitais que, se não contrapõe ou subverte, ao menos gere visibilidade para pautas não abordadas  pela mídia de massa. Dos sentidos inaugurados pelas colunas do Mídia Ninja O Mídia Ninja – Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação é o coletivo midiático que mais rende análises dentro do grupo de coletivos que compõe o projeto em andamento. Em atividade antes mesmo dos protestos de junho de 2013, o coletivo aciona uma série de questões que envolvem a produção e a circulação de conteúdo  pelas redes digitais, e acaba se tornando para o jornalismo um objeto que abre di-versas vertentes de investigação. Neste artigo, como já dito, nosso foco é analisar a  produção de sentido provocada pelas colunas que o coletivo disponibiliza em dois espaços na rede.Henn (2014) propõe, a partir da revisão de teorias do acontecimento e tendo como lente epistêmica a semiótica, o conceito de ciberacontecimento para entender os  processos em sites de redes sociais que reconguram o jornalismo. Compreendendo as territorialidades digitais como espaços profícuos para ação, geração e propagação de signos, o que é denominado por Peirce (2002) como semiose, é possível visualizar as dinâmicas que inauguram acontecimentos tramados na cultura digital. Em Lotman (1996), Henn busca a noção de semiosfera para apontar a forma como os signos constituem o nosso mundo simbólico e geram a cultura, sinalizando os diferentes sentidos que emergem dos objetos. Os ciberacontecimentos, dessa maneira, emergem da intensidade semiótica dos sites de redes sociais. Em relação ao jornalismo, Henn e Oliveira (2015) falam do aparecimento de uma crise sistêmica que recongura os lócus das semioses: antes um objeto-acontecimento era interpretado pelo jornalismo e levava à emergência da notícia-signo, agora o signo se desprende da notícia, dada a forma como os acontecimentos podem ser reverberados por interpretações dos mais diferentes públicos. As microconexões que integram essas processualidades, seja no Twitter, Facebook ou Instagram, podem ser visualizadas como rastros semióticos que detalham os sentidos que despontam e levam ao surgimento de um ciberacontecimen-to. E é a esse detalhamento que se dedica a análise de construção de sentidos em redes digitais (HENN; GONZATTI; ESMITIZ, 2017). A metodologia supracitada congura-se como uma visão dos processos em rede dife -rente da análise de redes sociais (RECUERO; BASTOS; ZAGO, 2015), pois tal esforço uti- liza softwares de captura de conexões em sites de redes sociais, como o Twitter e o Facebook,  para gerar grandes mapas que demonstram polarizações a partir do uso de palavras-chave,
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