A FORMAÇÃO INICIAL DO PROFESSOR E A FUNÇÃO DA ESCOLA-CAMPO DE ESTÁGIO: DESAFIOS E POSSIBILIDADES

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   A FORMAÇÃO INICIAL DO PROFESSOR E A FUNÇÃO DA ESCOLA-CAMPO DE ESTÁGIO: DESAFIOS E POSSIBILIDADES Cândida Maria de Sousa Custodio - UFPel RESUMO Este estudo buscou conhecer, via Estágio Curricular, peculiaridades que definissem, na perspectiva da equipe diretiva, dos professores de classe e estagiários, o papel da escola-campo de estágio, e se essa instituição contribui para a formação inicial do professor, oriundo de Instituições de Educação Superior. Teve cunho qualitativo e usou como instrumento adotado para a coleta e a análise de dados, o questionário, sendo, entre esses segmentos, por amostragem intencional com critérios definidos. Foi realizado numa escola pública de ensino fundamental e médio, na cidade de Pelotas/RS. Alguns pontos decorrentes demarcaram a investigação, tais como: de que tipo e como se assinala o aporte da Escola-campo de estágio? Como tem se edificado a relação Escola-campo e IES? Resultados obtidos permitem conjeturar contribuições a partir da importância da Escola de Educação Básica à formação inicial de professores. Destacaram-se, neste trabalho, os autores António Nóvoa; Pimenta e Alarcão. PALAVRAS-CHAVE : Escola de Educação Básica; estágio curricular; formação de professores. Problemática A formação de professores, uma das condições efetivas para a evolução da qualidade do ensino tem, nos últimos tempos, provocado diversos estudos, congressos, diretrizes e  políticas em busca por soluções para muitos dos problemas vivenciados pelo professor em suas práticas pedagógicas. O mundo, as relações e as identidades estão sofrendo um processo de alterações, bem como as concepções e as práticas educacionais. Em função dessas mudanças, são grandes os desafios que a Educação, um dos pontos decisivos nesse processo em uma sociedade, reserva  para os próximos anos e torna-se basilar entender as transformações pelas quais passa o mundo atual, sobretudo para quem tem a incumbência de ensinar. Defrontamo-nos com vários tipos de mudanças, nos planos socioeconômico, ético- político, cultural e educacional. Essas modificações, alusivo à educação, provocam desafios que terão de ser enfrentados, já que educar, em formações sociais mais remotas, era o sujeito vivenciar o cotidiano com os mais velhos, escutar suas histórias, suas experiências e, assim,   2 formar-se para agir na comunidade. As tradições eram passadas naturalmente, logo, a educação do homem nem sempre foi idealizada no ambiente escolar. Lopes e Galvão (2001) dizem que foi a partir de Idade Média, na Europa, que a educação se tornou produto do espaço escolar, passando a conferir-lhe um caráter mais formal. Nesse sentido, abreviam-se as formas do pensamento às formas lógicas da linguagem, e o ensino à lógica do assunto ensinado. A Educação torna-se então, predominante escolástica 1  destinando à escola um espaço para um aprendizado instrumental, complementar à socialização ou humanização, convertendo-se esta em lugar central de acesso à verdade estabelecida, seja pela revelação divina, seja mais tarde, pelas ciências. A escola,   nos protótipos atuais, surge como instituição conectada ao desenvolvimento do capitalismo. Com a Revolução Industrial, a partir de 1750, era preciso que mais pessoas soubessem ler, escrever e contar, além de saberem lidar com as novas exigências de trabalhos nas indústrias. Antes, a burguesia, classe dominante, era-lhe importante socializar e educar os trabalhadores, para que se tornassem disciplinados. Atenta ao universo da e scola, Marisa Costa defende que “Talvez seja daí, desse nicho de representação da escola como detentora de um saber-fazer que habilita para a sociedade,  para o mundo e para a vida, que emerge a maior proliferação discursiva sobre ela” (2003, p. 22). Diante de tal aspecto, a escola carece de estar organizada para lidar com essa realidade e proporcionar a todos que por seu espaço transitam condições adequadas para que se tornem autores dessas mudanças. A reflexão desse enfoque visa ao consentimento de um panorama sobre a ideia de que “ O homem não pode participar ativamente na história, na sociedade, na transformação da realidade, se não for ajudado a tomar consciência da realidade e da sua própria capacidade  para a transformar  ”  (Freire, 1997, p. 47). Para a construção de uma nova realidade educacional, no entanto, torna-se imprescindível exercitar um conjunto de políticas emergenciais e estruturais para o professor,  principal articulador de uma educação de qualidade; e que a instituição que se compõe de funções, passe a ser contemplada uma organização social, cultural e humana, onde possam ser adotadas importantes deliberações educativas, curriculares e pedagógicas. Para melhor compreensão, Nóvoa diz que: 1  Escolástica refere-se àquilo que se ensina na escola. É o método de ensino teológico e filosófico feito nas escolas eclesiásticas e nos primórdios da universidade durante a Idade Média, entre os séculos IX e XVI. No método escolástico debatiam-se questões e opiniões, fundamentando-as com a razão. http://pt.shvoong.com/humanities/philosophy/175-0189-escolástica (18/05/2010).   3 [...] A formação de professores pode cumprir um papel importante na configuração de uma “nova” profissionalidade docente, estimulando a emergência de uma cultura profissional no seio do professorado e de uma cultura organizacional no seio das escolas (1992, p. 24).  Nesse contexto, torna-se precedência reencontrar o professor como sujeito de uma  prática pedagógica, reconhecendo-se que sua formação se fundamenta num equilíbrio único, levando-se em apreço o valor que essa atividade tem da concepção da formação dos seres humanos. O movimento pelas alamedas dos métodos de pesquisas para captar a formação dos  professores pode transcursar da rede de conhecimentos rumo às práticas educacionais baseado  pelo poder das ideias, no campo da educação, que engloba o dia-a-dia. Ora, o que está em destaque, hoje, não se restringe só ao aprimoramento na carreira docente; contudo, nesse contexto de mudanças dos professores, como protagonistas que têm de ser, e das instituições educacionais, os desafios se impõem no seu dia-a-dia a partir de um investimento das suas experiências. As relações sociais, por conseguinte, estabelecem-se em contexto de espaço e tempo, e refletir educação é discorrer sobre projeto de curso, é falar em formação pedagógica, em formação inicial de professores, em produção de conhecimentos. A educação, sobretudo a institucionalizada, é globalmente reconhecida como fator essencial ao desenvolvimento intelectivo do homem. Sendo a escola uma das principais instituições responsáveis pela educação, passa a determinar nova dinâmica de “ensinamento”, mais condizente com a sociedade atual. A nova realidade que envolve a escola e que dela exige posicionamentos, deliberações e ações, se configura em um implexo de novas tecnologias e de novas organizações familiares e sociais. Dessa forma, o que era exclusivamente uma instituição para permitir ao homem uma sobrevivência melhor, tornou-se fator de profundas transformações do próprio homem no seu espaço social, quanto a sua maneira de pensar, de conhecer, de organizar-se e de comunicar-se. Essa nova conjuntura assinala para um modo de refletir acerca da escola como um lócus que pode ser de socialização e de construção do conhecimento. Alarcão (2001) propõe a escola pensar a si própria, num propósito de “escola reflexiva”, numa nova maneira de pensar e de agir na realidade, com suas necessidades e seus determinantes emergenciais. Uma instituição que produz e que tem sua vida apregoada no movimento curricular de espaço/tempo pedagógico trabalhado no coletivo, pelos sujeitos que nela transitam. Nessa   4 dimensão, dada sua importância na formação do indivíduo, a escola, hoje, pode ser um ambiente educacional e instituinte de relações, que tem como funções essenciais o preparo de cidadãos, a articulação, a produção e a socialização dos múltiplos tipos de saber (Marques, 1990, p. 132). Cabe destacar o grande impacto provocado pelas políticas públicas quando conferem à escola o papel de co-responsável pela formação dos futuros professores ao receberem estagiários em seu espaço 2 .  Nessa ótica, o exercício da profissão docente exige uma significativa formação, não somente que se refira aos conteúdos científicos próprios das disciplinas, todavia, nos aspectos correspondentes a sua didática e ao encaminhamento das diversas variáveis que caracterizam a docência e o trabalho do professor. Esse é o desafio! Preparar novos profissionais, competentes, um sujeito qualificado pela pesquisa e outros componentes curriculares. Torna-se prioritário, nesse contexto formativo, encontrar o professor como sujeito de sua prática  pedagógica. Diante dessa nova etapa pela qual passa a educação e por sua vez, a escola, e a partir do que se coloca o objetivo desse trabalho é contribuir com uma reflexão acerca do papel da escola no que faz referência à formação inicial de professores. Em sua proposta, buscou conhecer o papel da escola-campo de estágio na formação inicial do professor, oriundo de Instituições de Educação Superior, num processo de contribuição para se pensar a Escola de Educação Básica para além desse nível de ensino. Sendo assim, formulou-se tais questões de  pesquisa: na perspectiva da equipe diretiva, professores e estagiários de uma escola pública da cidade de Pelotas, qual é o papel da escola-campo de estágio na formação inicial de  professores, oriundos de universidades públicas e privadas? Existe contribuição da escola-campo de estágio? Como se caracteriza essa contribuição? Que tipo de contribuição? Contempla ainda como questões decorrentes dessas, as seguintes: como efetivamente tem se construído a relação escola-campo de estágio com as IES? Como os estagiários se relacionam com a escola-campo de estágio, e que papel atribuem para a escola na sua formação? O que vislumbram a equipe diretiva e professores que recebem estagiários como sendo atribuição da escola-campo? Existem diferenças significativas nas concepções dos estagiários acerca do papel da escola-campo de estágio que possam ser relacionadas aos seus cursos de formação? 2  Mais especificamente a Lei 11.788 enfatiza o papel da Escola de Educação Básica como espaço formativo para a formação inicial do professor.   5 Metodologia Partindo da conjetura de que a metodologia que adotamos implica no caminho que  buscamos abalizar, podemos dizer que essa se delineia no momento em que nossas perguntas, dúvidas e inquietações subjazem ao que queremos investigar. Assim sendo, após a definição do tema a ser investigado e das questões daí decorrentes, consegui alcançar    uma caminhada metodológica que me possibilitou compreender com mais clareza o papel da escola-campo de estágio em relação ao processo de formação inicial do professor, uma vez que, como afirma André (1995, p. 52), “a escolha de uma determinada forma de pesquisa depende, antes de tudo, da natureza do problema que se quer investigar e das questões específicas que estão sendo formuladas”.  Busquei adentrar no cotidiano escolar e, cautelosa, evitei definições rígidas e conjecturas prévias, assumindo uma postura aberta para a emergência do novo. Fui ao encontro do que lá estava acontecendo com os protagonistas, os sujeitos envolvidos. Encontrei respaldo na afirmativa de Barbier (1985) quando defende que se busca saber mais,  para melhor intervir na realidade, sem deixar de considerar a relação sempre dialética entre  pesquisador e objeto da pesquisa.  Nesse contexto, com esses parâmetros como princípios, essa pesquisa, decorrente da minha dissertação de Mestrado/ UFPel sob a orientação de Maria das Graças Pinto, Professora Doutora atuante do Programa de Pós-Graduação de Educação da Universidade Federal de Pelotas foi realizada numa escola pública, na cidade de Pelotas/RS. A coleta de dados ocorreu  por meio de questionário aberto aplicado à equipe diretiva da escola, aos professores regentes da turma e aos estagiários em situação de regência de classe, esses encaminhados pela instituição formadora, universidade e/ou por carta de apresentação da 5ª. CRE (Coordenadoria Regional de Educação). A realização dessa pesquisa no ambiente de trabalho, na condição de supervisora escolar,  poderia denotar um obstáculo ao processo necessário de “afastamento” do  pesquisador para com a realidade e participantes da investigação, entretanto, com os devidos cuidados metodológicos, foi esse fator o momento oportuno para melhor apreender os contentamentos e as dificuldades dos investigados. O acesso, por meio de visitas às dependências da escola para que se situasse melhor no novo espaço de convivência, contemplou ao estagiário conhecer o cotidiano da escola e seus movimentos, para além da sala de aula. Nesse processo, o professor de classe, ao acolhê-lo, manteve uma relação mais próxima e contínua, orientando-o em sua formação.
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