O Método Biográfico em Sartre: contribuições do Existencialismo para a Psicologia The Biographical Method in Sartre: Exististential contributions to Psychology

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RESUMO A crise epistemológica da psicologia no início do século XX, por estar cindida entre as perspectivas objetivistas e subjetivistas, passou a exigir do meio científico aportes teóricos para a sua superação. A fenomenologia forneceu elementos

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  ARTIGO   O Método Biográfico em Sartre: contribuições do Eistencia!ismo "ara a #sico!ogia   T$e Biogra"$ica! Met$od in Sartre: Eististentia! contributions to #s%c$o!og%   &anie!a Ribeiro Sc$neider ' Professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina–UFSCEndereço para correspondência   RES(MO A crise epistemológica da psicologia no início do séclo !!" por estar cindida entre as perspectivas o#$etivistas e s#$etivistas" passo a e%igir do meio científico aportes teóricos para a sa speraç&o' A fenomenologia fornece elementos filosóficos e metodológicos para esta#elecer a crítica ao psicologismo e ela#orar a possi#ilidade de novas perspectivas para a disciplina' Sartre" por ela inflenciado" assim como pelo mar%ismo" constiti ma concepç&o (istórica e dialética )e est* no cerne da proposiç&o de ma psicologia e%istencialista' Em especial" o método #iogr*fico" por ele implementado" tem mito a contri#ir para a constrç&o de ma metodologia para a psicologia )e spere a dicotomia o#$etivismo+ s#$etivismo e possi#ilite a constrç&o da disciplina em novos par,metros' -este artigo s&o e%plicitados os presspostos teórico.metodológicos do método #iogr*fico em Sartre" sendo disctida sa aplicaç&o pr*tica reali/ada no livro Saint Genet: comédien et martyr. #a!a)ras*+$a)e: 0ean.Pal Sartre" Psicologia e%istencialista" 1iografia" 2istória de vida" 0ean 3enet' ABSTRA+T  ESTUDOS E PESQUISAS EM PSICOLOGIA, UERJ, RJ, ANO 8, N.2, P. 284-301, 1° SEMESTRE DE 2008 284  4(e epistemological crisis in ps5c(olog5 at t(e start of t(e t6entiet( centr5" torn as it 6as #et6een o#$ectivist and s#$ectivist perspectives" #egan to demand from t(e scientific 6orld a t(eoretical contri#tion in order to overcome t(is impasse' P(enomenolog5 provided p(ilosop(ical and met(odological elements in order to esta#lis( a criti)e of ps5c(ologism" and to open t(e 6a5 to t(e development of ne6 perspectives in t(is field' Sartre" t(s inflenced" and inspired #5 7ar%ism" ela#orated a (istorical and dialectic concept 6(ic( forms t(e core of t(e t(eor5 of e%istentialist ps5c(olog5' 8n particlar" t(e #iograp(ical met(od 6(ic( (e implemented contri#ted greatl5 to a met(od of ps5c(olog5 6(ic( goes #e5ond o#$ectivism+s#$ectivism and allo6s for t(e development of t(e field 6it(in ne6 parameters' 8n t(is article" t(e fndamental t(eor5.met(odologies of Sartre9s #iograp(ical met(od are e%plained' 8 also discss t(eir practical application in (is #oo:" Saint Genet: comédien et martyr. ,e%-ords: 0ean.Pal Sartre" E%istentialist ps5c(olog5" 1iograp(5" ;ife (istor5" 0ean 3enet'   < início do séclo !! foi marcado pelos )estionamentos ao establishment   das disciplinas nascidas nos séclos anteriores" )e #scavam se consolidar como científicas" tili/ando.se para tanto" na maior parte das ve/es" da perspectiva positivista= sociologia" antropologia" (istória" economia" entre otras' As críticas > lógica casalista" ao modelo mecanicista" > démarche  empirista" )e consolidaram o c(amado cientificismo,  se fa/iam presentes em v*rias *reas de prodç&o do con(ecimento' A refle%&o so#re os fndamentos da psicologia estava no #o$o desse conte%to mais a#rangente' A crise epistemológica da psicologia do início do séclo !! foi de#atida por v*rios teóricos" entre eles ?igots:i @BB e Polit/er @B" )e )estionavam o fato da disciplina ter ficado retida na dicotomia entre m s#$etivismo e m o#$etivismo sem recrsos" sem consegir sper*.los' Estes teóricos representam certo momento de e#liç&o da crítica > psicologia científica )e se consolidava" p%ada" por m lado pela psicologia fisiológica" psicologia e%perimental e a nascente psicologia comportamental e" por otro" pela psican*lise e sas correlaçes com a clínica e com a psi)iatria' A fenomenologia" filosofia constitída a partir dos tra#al(os de Edmnd 2sserl" no final do séclo !8!" fornecia elementos ontológicos e metodológicos para se processarem tais )estionamentos' -este conte%to" 0aspers @BGB" patando.se na fenomenologia" escreve se con(ecido livro Psicopatologia Geral  "de BH" no )al delineia ma nova perspectiva para a disciplina psicopatológica" ao romper com a lógica analítica )e a dominava" sstentada na noç&o de casalidade" predominante no modelo nerofisiológico e organicista da psi)iatria de ent&o" propondo.l(e novos par,metros' Utili/ar.se.* da noç&o de compreensão  e sa lógica sintética" propondo ma nova a#ordagem dos fenImenos psicológicos= a a psi)e (mana e%prime.se no corpoJ # o (omem vive  ESTUDOS E PESQUISAS EM PSICOLOGIA, UERJ, RJ, ANO 8, N.2, P. 284-301, 1° SEMESTRE DE 2008 285  em se mndoJ c o (omem o#$etifica.se na fala" no tra#al(o" nas idéias' Para compreender esses novos par,metros" era preciso #scar as Kcone%es compreensivas da vida psí)icaL" com desta)e para a noç&o de situação 'Para o psi)iatra fenomenológico" o diagnóstico da sitaç&o do paciente devia ser feito sempre a partir da reali/aç&o da biografia do s$eito" considerada como etapa fndamental para a inteligi#ilidade do caso' Dessa forma" a compreens&o era de )e a vida psí)ica é m todo " desenvolvida em forma temporal' A realidade (mana é ma a#ertra para o ftro" portanto" n&o é fec(ada so#re si mesmaJ é sempre ma #iografia incompleta e a#erta" > espera das reali/açes ftras' Além disso" a #iografia leva a ma perspectiva (istórica mais ampla" na medida em )e #sca o (omem inserido em m conte%to a#rangente= através da (istória pessoal deve.se c(egar na (istória dos povos" afirma o psi)iatra' M so# inflência desse conte%to e" mais especificamente" dos teóricos da fenomenologia" )e Polit/er @B vai propor a sa  psicologia concreta, tendo na biografia o carro.c(efe de sa metodologia' Para o francês" a #iografia deve ser" na verdade" o o#$eto da psicologia" pois o )e deveria interessar a esta ciência é a trama da vida" a (istória do s$eito @;E3NA-D" BBH'0ean.Pal Sartre @BO.BO" ao #scar em#asamento na fenomenologia de 0aspers" 2sserl e 2eidegger" nos di*logos travados com se amigo pessoal Polit/er" entre otras inflências do conte%to intelectal francês do se tempo" ir* aderir ao movimento crítico' Dessa forma" o filósofo far* da crítica e da ela#oraç&o de novos fndamentos da psicologia m dos elementos constantes de toda sa o#ra" persegindo a constitiç&o de m novo método e m novo corpo teórico para tal disciplina' Entre tais proposiçes est* a de m método biográfico " como recrso para a compreens&o rigorosa do movimento do s$eito no mndo" )e o conte%to intelectal da época estava a clamar' Conforme apontam os (istoriadores contempor,neos da psicologia" na #sca de definiç&o de métodos para sa investigaç&o=-a a#ordagem #iogr*fica" a vida e a o#ra de m ator s&o tili/adas como principal fonte de dados para a reconstrç&o dos acontecimentos' Segndo So:al" essa perspectiva é especialmente interessante por permitir a com#inaç&o das a#ordagens internalista e e%ternalista= ao descrever a evolç&o do pensamento do ator" a ênfase recai so#re o ponto de vista internalistaJ ao a#ordar as relaçes entre o ator e a comnidade o a época" é possível o#servar a interaç&o entre a atividade científica e o conte%to social e cltral @CA7P<S" BB" p' 'Sendo assim" o estdo do método #iogr*fico tem mito a contri#ir para a constrç&o de ma metodologia para a psicologia )e spere a dicotomia s#$etivista+o#$etivista e possi#ilite a constrç&o de ma nova disciplina'   .omem / .ist0ria: re!aç1o indisso!2)e!  ESTUDOS E PESQUISAS EM PSICOLOGIA, UERJ, RJ, ANO 8, N.2, P. 284-301, 1° SEMESTRE DE 2008 286  Segndo 1loc( a (istória n&o é ma Kciência do passadoL" como acreditam algns (istoriadores" mas sim ma Kciência dos (omens no tempoL' Assim" o tempo da (istória é Ko próprio plasma em )e se engastam os fenImenos e o lgar de sa inteligi#ilidadeL @QOO"p' ' Sartre foi certamente inflenciado pela (istoriografia contempor,nea francesa" assim como pelo (istoricismo mar%ista' A concepç&o de (omem )e s#$a/ > teoria sartriana é" portanto" (istórica e dialética" na )al" o s$eito só pode ser compreendido levando.se em conta sa (istória individal" tanto )anto a de sa con$ntra familiar o rede sociológica" #em como de se conte%to social e sa época cltral" tendo como fndo de sstentaç&o a noç&o )e ele se faz e é feito  no+por esse con$nto de fatores' A psicologia e%istencialista pata.se nessa antropologia'Sartre #sco fndar ma antropologia estrutural e histrica,  )e deveria ser esta#elecida no Kinterior da filosofia mar%ista" pois o mar%ismo é a filosofia insper*vel de nosso tempoL" #em como no E%istencialismo" na medida em )e este é Km território encravado no próprio mar%ismo" )e o engendra e o recsa ao mesmo tempoL @SAN4NE" BO" p' OB'7ar% e Engels @BG" ao criticarem o idealismo (egeliano" assinalaram a prioridade da pr*%is o da aç&o so#re o con(ecimento o o sa#er' <s fenImenos (manos s&o irredtíveis ao con(ecimentoJ eles devem ser e%perimentados" vividos' 8sto )er di/er )e n&o #asta con(ecer a realidade (mana" é preciso prod/i.la" vivê.la" modific*.la' Sartre aplicar* esse postlado ao esta#elecer a sa antropologia' Para compreender m (omem é preciso ir além da)ilo )e ele fala o reflete so#re si" é preciso descrever sas açes" sa pr*%is cotidiana" o conte%to no )al est* inserido' Portanto" n&o podemos nos limitar ao discrso o > lingagem' M preciso destacar a especificidade da e%istência (mana" ao tomar o (omem concreto na sa realidade o#$etiva" material" social" sociológica' -esta concepç&o o concreto é a (istória" posto )e a aç&o (mana é sempre dialética @SAN4NE" BO' Portanto" devemos #scar elcidar o entrelaçamento dos fatos em ma perspectiva (istórica e dialética" para" assim" consegirmos mel(or compreender a vida de m (omem e de ma coletividade' 7as" de )e forma esta#elecer essa compreens&oR < mar%ismo" assim como o e%istencialismo" consideram )e os fatos nnca s&o fenImenos isoladosJ eles se d&o em con$nto" s&o tecidos ns nos otrosJ alterando m" modifica.se o otro" e vice.versaJ tecem.se na nidade de m todo' M esse entrelaçamento" essa relaç&o de fnç&o )e deve ser persegido" a fim de elcidar a realidade (mana' 7as é necess*rio" assinala Sartre @BO" precisar a relaç&o do s$eito com as estrtras )e o determinam' Critica a passagem de Engels= K)e m tal (omem e precisamente a)ele" se eleve em tal época determinada e em tal país dado" é natralmente m pro acaso' -a falta de -apole&o" otro teria preenc(ido o se lgar'''L @SAN4NE" BO" p' ' Sartre argmenta )e o acaso n&o e%iste" pois s&o os s$eitos efetivos )e fa/em a (istória" mesmo )e em condiçes dadas' M preciso" por isso" compreender a concretde da vida" #em como as mediaçes )e a prod/em' Segndo ;egrand @BBH" para e%plicar como os (omens concretos se constitem a partir das determinaçes sócio.(istóricas" o e%istencialista tili/a o conceito de mediação " o se$a" o processo através do )al a família" os micro.grpos sociais esta#elecem.se como meios de constitiç&o da realidade específica do  ESTUDOS E PESQUISAS EM PSICOLOGIA, UERJ, RJ, ANO 8, N.2, P. 284-301, 1° SEMESTRE DE 2008 287  indivído" sendo )e as disciplinas a%iliares" como a psican*lise e a sociologia" s&o c(amadas a e%plicitar tal processo' Sartre prod/ir* sas o#ras #iogr*ficas dentro de ma perspectiva interdisciplinar" #scando ma síntese transcendente entre a psican*lise" o mar%ismo" o e%istencialismo" pois estava ciente da necessidade $* assinalada por 1loc( @QOO" p' O'= Kpara mel(or entender e apreciar os procedimentos de investigaç&o" seria necess*rio associ*.los ao con$nto das tendências )e se manifestam" no mesmo momento" nas otras ordens de disciplinaL' Sartre defende a psican*lise como m método )e permite estdar o processo no )al ma criança c(ega a desempen(ar o papel social )e l(e foi imposto" assimilando.o" sfocando.se nele" o re$eitando.o" na medida em )e a (istória de ma pessoa" desde sa inf,ncia" é fndamento para se entender o sistema social' K< e%istencialismo acredita" ao contr*rio @do mar%ismo poder integrar este método @a psican*lise por)e ele desco#re o ponto de inserç&o do (omem em sa classe" isto é" a família singlar como mediaç&o entre a classe niversal e o indivídoL @SAN4NE" BO" p' G' Fa/.se necess*rio pIr em relevo" assim" a aç&o )e a inf!ncia  tem so#re nossa vida de adlto" perspectiva fndamental para se compreender o entrelaçamento da realidade (mana' Portanto" n&o podemos fa/er como o mar%ismo )e re$eita a atenç&o ao s$eito individal e sa (istória idiossincr*tica" pois é $stamente a partir dela )e se d* a tessitra da vida coletiva' Sendo assim" a relaç&o indi"#duo$grupo o singular$uni"ersal é aspecto essencial para o entendimento da realidade (mana' < sporte dos coletivos" dos grpos" s&o as atividades concretas dos indivídos' < grpo é" assim" ma mltiplicidade de relaçes concretasJ n&o é nnca ma totalidade fec(ada o m (iperorganismo" como )erem algns sociólogos positivistas" mas sim ma totalidade nnca terminada" ma Ttotalidade destotali/adaT @SAN4NE" BO" p' G' 8sto )er di/er )e os grpos est&o em constante processo de constrç&o dialética= Prodto de se prodto" modelado pelo se tra#al(o e pelas condiçes sociais da prodç&o" o (omem e%iste ao mesmo tempo no meio de ses prodtos e fornece a s#st,ncia dos coletivos )e o corroemJ a cada nível da vida" m crto.circito se esta#elece" ma e%periência (ori/ontal )e contri#i para modific*.lo so#re a #ase de sas condiçes materiais de partida= a criança n&o vive somente na sa família" ela vive tam#ém . em parte através dela" em parte so/in(a . a paisagem coletiva )e a circndaJ e é ainda a generalidade de sa classe )e l(e é revelada nesta e%periência singlar @SAN4NE" BO" p' 'Sendo assim" o (omem fa/ a (istória" ao mesmo tempo em )e é feito por ela' -o entanto" é preciso assinalar )e a (istória n&o est* em me poder" ela me escapa" e  KV'''W isto n&o decorre do fato de )e n&o a faço= decorre do fato )e o otro tam#ém a fa/L @SAN4NE" BO" p' B' < (omem se o#$etiva na (istória e nela se aliena' Ela l(e aparece como ma força estran(a" na medida em )e n&o consege recon(ecer" mitas ve/es" o sentido de sa aç&o no se resltado final' 8sto se deve ao fato de )e o resltado é ma o#$etivaç&o no mndo )e" portanto" o transcende" posto )e se torna coletivo' A (istória é" assim" Kma realidade provida de significaç&o e algma coisa )e ningém possa recon(ecer.se inteiramente" enfim" ma o#ra (mana sem ator %   @SAN4NE" BO" p' G'  ESTUDOS E PESQUISAS EM PSICOLOGIA, UERJ, RJ, ANO 8, N.2, P. 284-301, 1° SEMESTRE DE 2008 288
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