Manuel Antonio Castiñeiras González, Galicia e os Camiños de Santiago

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Manuel Antonio Castiñeiras González, Galicia e os Camiños de Santiago. Xunta de Galicia-Turismo de Galicia, Santiago de Compostela, 2016, 216 pp., com numerosas ilustrações a cores e 3 mapas. Apresentações de Alberto Núñez Feijóo e María Nava Castro

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   Ad Limina / Volumen 8 / N.º 8 / 2017 / Santiago de Compostela / ISSN 2171-620X [205] Manuel Antonio Castiñeiras González, Galicia e os Camiños de Santiago. Xunta de Galicia-Turismo de Galicia, Santiago de Compostela, 2016, 216 pp., com numerosas ilustrações a cores e 3 mapas.  Apresentações de Alberto Núñez Feijóo e María Nava Castro Domínguez. Fotografia: Ovidio Aldegunde e outros. Design e maquetação: Dardo (Cristina Moralejo). Texto em galego, espanhol e inglês. D.L. C 1997-2006 el Camino de Santiago ha contribuido tanto a la construcción de la identidad europea como la acción del emperador Carlomagno  (p.39) G alicia e os Camiños de Santiago  é um livro de prestígio e um livro prestigiante. É uma edição cuidada, trilingue (castelhano, galego e com um caderno final em inglês), dotada de aparato fotográfico de grande qualidade, embora privilegian-do o impacto visual das paisagens e das unidades de património relacionadas com o culto a Santiago, em detrimento de um maior diálogo entre texto e imagem. É um livro de síntese, que percorre a história medieval do culto a Santiago e dos cami-nhos de peregrinação a Compostela. Como obra dirigida a um público heterogéneo e não especialista, o discurso é directo e prescinde do aparato científico proporcio-nado pelas notas de pé de página. A problematização está, porém, presente, pois não raras vezes o autor remete para o trabalho de outros investigadores, ou fornece a sua própria opinião sobre matérias que continuam em debate no seio da História da Arte medieval.  A obra divide-se em dois grandes blocos. No primeiro, três capítulos abordam as srcens da peregrinação, a rede peregrinatória de caminhos na Europa e o fenómeno  jacobeu no âmbito peninsular. São três textos introdutórios que percorrem parte con-siderável da legenda de Santiago (desde a lendária diáspora apostólica até à Penín-sula Ibérica até à eleição da vieira como símbolo da peregrinação cumprida, passan-do pela mítica trasladação do corpo do santo até às costas da Galiza), do impacto Manuel Antonio Castiñeiras González, Galicia e os Camiños de Santiago   Ad Limina / Volumen 8 / N.º 8 / 2017 / Santiago de Compostela / ISSN 2171-620X [206] das peregrinações na Europa medieval e da constituição dos primeiros caminhos de peregrinação na Península Ibérica, coincidente com a abertura civilizacional dos reinos hispânicos à Europa transpirenaica e à normalização religiosa proporcionada pela reforma gregoriana.O segundo bloco é diferente. Abandonando o carácter introdutório e selectivo dos capítulos anteriores, o autor dedica mais de metade do livro a caracterizar os diferentes caminhos de peregrinação na Galiza. Diante de um discurso mais mi-nucioso e local, somos levados a percorrer as várias etapas dos muitos caminhos que conduzem a Compostela, conhecendo não apenas os monumentos e os factos históricos que mais se relacionam com os caminhos jacobeus, mas também os aci-dentes geográficos, as paisagens mais deslumbrantes, as lendas e os elementos de património imaterial que fazem do culto ao apóstolo uma das mais duradouras e transversais marcas identitárias da aventura galega. Através de um mapa com indi-cação dos caminhos e principais localidades e centros de passagem (p. 65), o autor faz uma digressão por todos os trajectos, salientando o carácter, a personalidade própria e os traços singulares de cada itinerário, bem como as principais realizações artísticas relacionadas com as peregrinações.Neste longo capítulo, Manuel Castiñeiras sai apenas uma vez da sua querida Ga-licia , para salientar a relevância do culto jacobeu em terras portuguesas e os pro-fundos traços históricos que unem a Galiza a Portugal (pp.150-156). O pio latrocí-nio, perpetrado por Diego Gelmírez contra a catedral bracarense (1102), a história trágica e épica do bispo Maurício Burdino para trazer para a Península Ibérica a  verdadeira cabeça de Santiago, que encontrara numa pequena igreja de Jerusalém, a peregrinação de D. Isabel de Aragão, rainha santa (1325) e as insígnias jacobeias do seu túmulo (c. 1335), ou a lenda da praia de Bouças (Matosinhos, Porto) que se liga à viagem do corpo do apóstolo para a Galiza e à vieira como insígnia identitária dos peregrinos de Santiago, são marcas profundas do culto jacobeu em Portugal e justi-ficam uma incursão que dá sentido ao grande sucesso que os caminhos portugueses de peregrinação a Santiago de Compostela desfrutam na actualidade, constituindo a via pela qual passam anualmente quase 20% dos peregrinos. Ao longo do livro, há duas dominantes que estão subentendidamente presentes. Por um lado, a noção de que os caminhos de peregrinação actuais estão fortemente alicerçados nos itinerários peregrinatórios medievais, assumindo-se que o diálogo que se estabelece entre os peregrinos de hoje com os vestígios materiais e imateriais do passado estão na base da forte identidade e da força espiritual dos Caminhos de Santiago. É por essa razão que interessou ao autor salientar os testemunhos me-dievais associados a cada etapa, matéria que enforma a alma dos lugares por onde o caminho continua a passar. Por outro lado, o carácter universal da peregrinação  jacobeia, ontem como hoje. Desde o século IX até à actualidade, milhões de pessoas peregrinaram a Compostela de forma quase ininterrupta e fizeram da mítica últi-ma morada do apóstolo Santiago razão e destino da existência medieval europeia. Manuel Antonio Castiñeiras González, Galicia e os Camiños de Santiago   Ad Limina / Volumen 8 / N.º 8 / 2017 / Santiago de Compostela / ISSN 2171-620X [207] Compostela converteu-se, assim, não apenas num distante destino ocidental para a civilização do Ocidente medieval, mas também em centro civilizacional, para onde naturalmente convergiam os fiéis, movidos pela fé e pela crença. O estatuto da Galiza como ponto de chegada (mas também como centro nevrál-gico da mais importante civilização medieval), graças à extraordinária mobilidade medieval, reflecte-se noutros aspectos deste livro. Em certo sentido, a obra represen-ta também ponto de chegada e centro de uma particular linha de investigação que Manuel Castiñeiras González desenvolve há largos anos. Formado numa específica escola de investigação em História da Arte que consagrou à catedral de Santiago de Compostela parte essencial do seu labor, Manuel Castiñeiras publicou os seus pri-meiros estudos sobre este edifício em 1998. Nos anos seguintes, ampliou o objecto de estudo à construção românica ao longo do Caminho de Santiago, às relações internacionais proporcionadas pelo intercâmbio cultural dos caminhos, ao culto das relíquias e à vieira como insígnia jacobeia específica, aos itinerários de Diego Gelmírez, à personalidade de mestre Mateo, à cultura figurativa comparada entre diferentes centros de peregrinação do mundo medieval. Ao longo de mais de três dé-cadas de intenso labor, não há domínio da temática peregrinatória que o autor não tenha abordado. Essa é razão pela qual a leitura deste livro é simultaneamente densa e natural, científica e literária, pois representa uma pessoal soma de conhecimentos  vasta e uma intensa ligação sentimental ao território galego.Os Caminhos de Santiago estão numa encruzilhada de tempos e de significados.  A peregrinação actual é muito distinta da medieval e são muitos os que caminham, indiferentes às ancestrais marcas do culto a Santiago nos territórios que cruzam. Mas para a grande maioria, o convívio com a história e a surpresa proporcionada pela descodificação dos monumentos de pedra de há mil anos constituem um forte incentivo. Não tenho dúvidas em afirmar que é cada vez mais pela história, pela den-sidade e pela alma da terra, que os peregrinos de Santiago escolhem determinado caminho. E isso sabe Manuel Castiñeiras que, com esta obra, escreveu uma peça ím-par que contribui para compreender como a identidade galega está profundamente assente nos Caminhos de Santiago desde a fundacional Idade Média. Galicia e os Camiños de Santiago  não está à venda; é um livro de oferta, porque cumpre os requisitos de uma edição requintada, que prestigia a instituição que o edita: Xunta de Galiza-Turismo de Galiza. Trata-se, todavia, de uma obra dema-siado importante para não alcançar o grande público. Espero, por isso, que possa existir uma edição dirigida a todos os que se interessam pela história da Galiza e pelos itinerários jacobeus, pois o livro, não sendo um guia para peregrinos actuais, é um produto que complementa a passagem de caminhantes pelas várias localidades mencionadas. E espero, também, que Manuel Castiñeiras continue a desvendar a alma medieval da sua Galiza.Paulo Almeida Fernandes Manuel Antonio Castiñeiras González, Galicia e os Camiños de Santiago
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