INFLUÊNCIA DE FATORES AMBIENTAIS NO PROCESSO DE EXTRAÇÃO DE SAL MARINHO EM SALINAS SOLARES DO BRASIL

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  Caderno Prudentino de Geografia, Presidente Prudente, n.37, v.1, p.92-109, jan./jul. 2015. INFLUÊNCIA DE FATORES AMBIENTAIS NO PROCESSO DE EXTRAÇÃO DE SAL MARINHO EM SALINAS SOLARES DO BRASIL INFLUENCE OF ENVIRONMENTAL FACTORS ON THE MARINE SALT EXTRACTION PROCESS IN SOLAR SALT FROM BRAZIL INFLUENCIA DE LOS FACTORES AMBIENTALES EN EL PROCESO DE EXTRACCIÓN DE SAL MARINA EN LA SAL SOLAR DE BRASIL David Hélio Miranda de Medeiros Universidade Federal do Ceará, Instituto de Ciências do Mar Avenida da Abolição, 3207, Meireles CEP: 60165081 - Fortaleza, CE - Brasil davidgeo.ambiental@yahoo.com.br Renato de Medeiros Rocha Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro Regional de Ensino Superior do Seridó Rua José Evaristo S/N, Penedo CEP: 59300-000 - Caicó, RN - Brasil renatocaico@yahoo.com.br Diógenes Félix da Silva Costa Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro Regional de Ensino Superior do Seridó Rua José Evaristo S/N, Penedo CEP: 59300-000 - Caicó, RN - Brasil diogenesgeo@gmail.com Resumo Durante o processo de cristalização do cloreto de sódio geram-se condições termodinâmicas que causam aproximações e agrupamentos de moléculas em estruturas organizadas, denominadas de cristais. Contudo, a constituição dos cristais deriva a partir de inclusões (impurezas) as quais irão influenciar na composição química da água-mãe e na cinética de crescimento do cristal. Nesta pesquisa foi considerada a direção e intensidade dos ventos no cristalizador, o grau de evaporação, temperatura, precipitação, nebulosidade, insolação, umidade relativa, precipitação pluviométrica e pressão atmosférica. Esses dados foram reunidos, copilados em planilhas eletrônicas e tratados estatisticamente. Paralelo a isso, foram realizadas coletas de cristais de cloreto de sódio sedimentados, para serem identificados, quanto à tipologia. A assimilação dos resultados dessas análises demonstrou que tais variáveis abióticas são condicionantes na mineralogia dos cristais de cloreto de sódio precipitados, podendo ocorrer impurezas e alta concentrações de outros sais (Mg, Ca, SO 4 ) que interferem na cinética do crescimento do cristal, determinando as características do produto final. Palavras chave:  cristalização, cloreto de sódio, fatores ambientais.  Abstract During the process of crystallization of sodium chloride are generated thermodynamic conditions that cause approximations and clusters of molecules in organized structures, called crystals. However, the formation of crystals is derived from inclusions (impurities) which will influence the chemical composition of the water-mother and on crystal growth kinetic. This  Influência de fatores ambientais no (...) David H. M. de Medeiros, Renato de M. Rocha e Diógenes F. S. Costa 93 Caderno Prudentino de Geografia, Presidente Prudente, n.37, v.1, p.92-109, jan./jul. 2015. research was considered the direction and intensity of winds in the Crystallizer, the degree of evaporation, temperature, precipitation, cloudiness, heatstroke, relative humidity, precipitation and atmospheric pressure. These data were gathered, compiled in spreadsheets and treated statistically. Parallel to this, were held collections of crystals of sodium chloride based, to be identified, as for the typology. The assimilation of the results of these analyses showed that such variables are abiotic constraints on mineralogy of crystals of sodium chloride precipitates, and impurities may occur high concentrations of other salts (Mg, Ca, SO 4 ) that interfere with the crystal growth kinetics, determining the characteristics of the final product. Keywords:  crystallization, sodium chloride, environmental factors. Resumen Durante el proceso de cristalización de cloruro de sodio se generan enfoques condiciones termodinámicas que causan moléculas y grupos de estructuras organizadas, denominado cristales. Sin embargo, la formación de cristales derivado de inclusiones (impurezas) que influirá en la composición química de las aguas madres y la cinética de crecimiento de cristales. En esta investigación se consideró la dirección e intensidad de los vientos en el cristalizador, el grado de evaporación, temperatura, precipitaciones, nubosidad, radiación solar, humedad relativa, precipitación y presión atmosférica. Estos datos fueron recogidos, compilado en las hojas de cálculo y analizados estadísticamente. Paralelamente a esto, se tomaron muestras de cristales de cloruro de sodio sedimentadas, ser identificado, como la tipología. La asimilación de estos valores mostró que las variables abióticas tales condiciones son mineralogía de cristales de cloruro de sodio precipitados, impurezas pueden ocurrir y altas concentraciones de otras sales (Mg, Ca SO 4 ) que interfieren con la cinética de crecimiento de los cristales, la determinación de las características del producto final. Palabras clave:  La cristalización de cloruro de sodio y los factores ambientales. Introdução Ao longo do litoral setentrional do Estado Rio Grande do Norte/Brasil, mais precisamente nas margens dos estuários dos rios Apodi-Mossoró, Piranhas-Assú e Galinhos-Guamaré, estão situadas as maiores empresas salineiras do país (DE MEDEIROS ROCHA et al., 2009, 2012). Tal modelo extrativista representa uma multiplicidade de serviços econômicos, ambientais, políticos, culturais; e vem passando por um estágio contínuo de modernização, particularmente em relação ao seu grau de pureza e qualidade (DE FLERS, 1967, 1969; BREMER, 1983; JAVOR, 2002; OREN, 2003; DAVIS, 2009; LIU, 2002; RAHMAN, 2009; ZHILING, 2009). A região setentrional potiguar apresenta o clima semiárido quente, com altas temperaturas (>28ºC), onde predominam estações secas com 7 a 8 meses de duração (junho a janeiro), quando a precipitação média não ultrapassa 10 mm, uma estação chuvosa de fevereiro a maio (período úmido) e um período superúmido (precipitação superior a 100 mm) de março a meados de maio, logo com baixa precipitação pluviométrica (<800 mm/ano) e altas taxas de evaporação, (RADAMBRASIL, 1981). Como consequências dessas condições climáticas, ocorrem nas bacias de drenagem dos rios, taxas de evapotranspiração potencial maiores do que a  Influência de fatores ambientais no (...) David H. M. de Medeiros, Renato de M. Rocha e Diógenes F. S. Costa 94 Caderno Prudentino de Geografia, Presidente Prudente, n.37, v.1, p.92-109, jan./jul. 2015. precipitação, uma vez que as taxas de escoamento superficial são praticamente desprezíveis, gerando condições hipersalinas nos ambientes costeiros (COSTA, 2013; MEDEIROS, 2016). Nesse contexto, as características homogêneas dos fatores ambientais, em determinados espaços distintos, permitiu a geração de geoambientes salinos e hipersalinos (MOREIRA, 1989; MENDES, 2008). Todavia, essas áreas assumiram especial importância desde a colonização do Brasil, sendo ocupadas para construção de salinas solares (VITA et al., 2007; COSTA et al., 2013), principalmente em virtude das características específicas desse tipo de solo, como alta salinidade e impermeabilidade (KENDALL, 1996; GUO et al., 2007). A cultura salineira ocorre em regiões com forte insolação diária, nas proximidades de estuários, com predomínio de solos argilosos que favorecem a impermeabilização do terreno, no que facilita a precipitação dos sais dissolvidos, entre eles o cloreto de sódio. Os índices pluviométricos das referidas áreas costumam ser baixos ou pelo menos com um período de chuvas concentrado em poucos meses do ano; outra característica climatológica importante é a presença de fortes ventos que permitem a aceleração da evaporação da água (BAHA AL-DENN, 1974; DAVIS, 2009; ZHILING, 2009; KILIC, 2010; LÓPEZ et al., 2010). Pode-se afirmar que nenhuma outra cultura econômica poderia melhor se desenvolver nessa região do Estado potiguar, do que a atividade salineira (DE MEDEIROS ROCHA,1993; DAVIS, 2000; KOROVESSIS; LEKKAS, 2006; MOOSVI, 2006). Dessa forma, a localização do polo de extração de sal marinho, inserido há décadas no litoral setentrional do RN (figura 1), é responsável por 95% de todo o sal produzido no Brasil (ROCHA, 2005; COSTA, 2013; DE MEDEIROS ROCHA, 2005, 2011). Figura 1 : localização da zona salineira no Estado do Rio Grande do Norte, Fonte: DE MEDEIROS ROCHA, 2011.  Influência de fatores ambientais no (...) David H. M. de Medeiros, Renato de M. Rocha e Diógenes F. S. Costa 95 Caderno Prudentino de Geografia, Presidente Prudente, n.37, v.1, p.92-109, jan./jul. 2015. Todavia, observa-se que a partir do modo de exploração e colheita do sal marinho, as salinas brasileiras estão classificadas em artesanais e mecanizadas (SOUTO, 1988; CÂMARA, 1999; DE MEDEIROS ROCHA, 2009, 2011; MEDEIROS, 2012). As salinas artesanais são pequenas (figura 2), com uma superfície média de 2-50 ha, dividida em 10-20 tanques (evaporadores e cristalizadores), com colheita manual do sal. Neste sistema, a água do mar ou do subsolo (água de revência, como é conhecida), geralmente é captada por bombas diesel, seguindo a salmoura pelos canais (por gravidade) para os tanques; a colheita ocorre durante a estação seca de maneira contínua e artesanal, utilizando pás e carros de mão. A lavagem e o armazenamento são feitos nas cooperativas de pequenos salineiros. Figura 2 : salina artesanal em Grossos/RN. Fonte: MEDEIROS, 2012. Por outro lado, as salinas mecanizadas (figura 3) é o método atual mais comum para a extração do cloreto de sódio. Tal modelo constitui-se basicamente de dois estágios: um para a evaporação, em que se delimitam diversos tanques interconectados com o objetivo principal que as salmouras atinjam a concentração de saturação do cloreto de sódio; e outro de produção ou cristalização, com tanques de menor dimensão quando comparados aos da área de evaporação (figura 4) (SOUTO et al.,1988; CÂMARA et al., 1999; AMINI, 2008; OREN, 2009; LÓPEZ et al., 2010). Com a precipitação do cloreto de sódio, é que de fato se inicia a colheita, com o auxílio de uma máquina colheitadeira e tratores-caçamba ou caminhões-caçamba. A máquina colheitadeira colhe a laje de sal precipitada (± 15 cm) e em seguida depositam nos tratores-caçamba, que transportam o sal para o lavador (fase
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