COOPERATIVISMO COMO ALTERNATIVA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL LOCAL: ESTUDO DE CASO NAS COOPERATIVAS DO PERÍMETRO IRRIGADO DE MORADA NOVA/CE

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Esta pesquisa teve como objetivo analisar a influência da atuação de cooperativas regionais no desenvolvimento sustentável local de uma região inserida no polígono das secas. Para tanto, escolheu-se como campo empírico o município cearense de Morada

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  Sistemas & Gestão 10 (2015), pp 214-224 COOPERATIVISMO COMO ALTERNATIVA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL LOCAL: ESTUDO DE CASO NAS COOPERATIVAS DO PERÍMETRO IRRIGADODE MORADA NOVA/CE Káa Lene de Araújo Lopes a ; Fáma Regina Ney Matos b ; Diego de Queiroz Machado b a   Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza, CE, Brasil b   Universidade de Fortaleza (Unifor), Fortaleza, CE, Brasil PROPPI / LATECDOI: 10.7177/sg.2015.v10.n2.a1 Esta pesquisa teve como objevo analisar a inuência da atuação de cooperavas regionais no desenvolvimento sustentável local de uma região inserida no polígono das secas. Para tanto, escolheu-se como campo empírico o município cearense de Morada Nova, onde foi implantado o primeiro projeto de irrigação do estado, que recebeu a denominação de Perímetro Irrigado de Morada Nova (PIMN). A parr de uma abordagem qualitava de estudo de caso, desenvolvida através da aplicação de entrevistas junto a gestores e produtores das cooperavas locais, pôde-se considerar que o desenvolvimento econômico da região não é inclusivo e nem preza pela eciência dos recursos em consequência da má ulização e conservação ambiental e da falta de transparência nos processos administravos da gestão das cooperavas. Contudo, ca evidente que a ausência desses parâmetros de sustentabilidade não se deve ao formato cooperavista em si da região que, de acordo com a literatura estudada e apresentada, torna-se uma alternava possível como caminho para a sustentabilidade local. Palavras-Chave:  Cooperavismo. Desenvolvimento sustentável. Desenvolvimento local. Perímetro irrigado. Estudo de caso. ResumoAbstract This study aimed to analyze the inuence of the performance of regional cooperaves in local sustainable development of a region inserted in the drought polygon. Therefore, it was chosen as the empirical eld the city of Morada Nova, where he was deployed the rst irrigaon project in the state, which was named Irrigated Perimeter of Morada Nova (IPMN). From a qualitave case study, developed through the applicaon of interviews with managers and producers of local cooperaves, we could consider that the region’s economic development is not inclusive nor values the resource eciency as a result of poor use and environmental conservaon and lack of transparency in the administrave management of cooperaves. However, it is evident that the lack of sustainability of these parameters is not due to cooperave format itself in the region, according to literature and presented, it is possible as an alternave path to local sustainability. Keywords:  Cooperaves. Sustainable development. Local development. Irrigated Perimeter. Case study. 1. INTRODUÇÃO Cada homem está envolto em um círculo de coisas, de árvores, de animais, de ideias e de homens, cuja salvação ele deve assegurar, só ele o pode, mais ninguém. Se não conseguir salvar o que o rodeia, não pode salvar-se a si próprio. Nikos Katsantzakis (1952) A ênfase dos aspectos econômicos para a denição de desenvolvimento foi objeto de atenção de vários pensadores ao longo dos séculos XVIII, XIX e XX, como Adam Smith, David Ricardo, John Stuart Mill, John Maynard Keynes, Karl Marx e Alfred Marshall. Todavia, as atuais discussões em torno do modelo de desenvolvimento econômico deixaram de focar exclusivamente os aspectos econômicos e envolvem áreas de estudos no campo da economia, da geograa, da sociologia e da ecologia. Economistas como Lewis, Hirschman, Myrdal e Nurkse admitem que o crescimento econômico é condição indispensável para o desenvolvimento, mas não é condição suciente. Willers et al.  (2008) reforçam que, em um contexto de desenvolvimento econômico mais atual, as metas de desenvolvimento podem ser alcançadas por meio das próprias potencialidades e capacidades da sociedade local, possibilitando que uma determinada sociedade tenha  Revista Eletrônica Sistemas & Gestão Volume 10, Número 2, 2015, pp. 214-224DOI: 10.7177/sg.2015.v10.n2.a1 215 maiores chances de compevidade e de sobrevivência no mercado. Em complemento, Buarque (2004) defende que, em todos os esforços recentes de desenvolvimento, devem estar presentes os postulados de sustentabilidade, “termo que expressa os anseios colevos, tais como a democracia e a liberdade, muitas vezes colocadas como utopia” (Barbosa, 2008, p. 1). Neste sendo, percebe-se que a incorporação dos postulados da sustentabilidade, como os propostos pelo Relatório Brundtland (1987), aumenta mais ainda a relevância dessa tarefa de denição, já que o referido relatório o conceitua como a capacidade de sasfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de alcançarem suas próprias necessidades. Assim, o grande desao que se coloca para os atores sociais e econômicos é a promoção do crescimento econômico e da compevidade sem provocar danos ao meio ambiente e nem o compromemento das gerações futuras.Sendo fundamentado em princípios como a adesão livre, gestão democráca, educação dos membros, neutralidade políca e religiosa, o cooperavismo é um formato organizacional que se caracteriza, conforme Machado Filho et al.  (2003), pela associação de um grupo, normalmente pequeno, de produtores, e com uma base cultural comum, voltado para algumas avidades agrícolas especícas, que se reúne sob um arcabouço organizacional e instucional próprio, a cooperava singular. Com frequência, se reagrupa nas chamadas cooperavas centrais (uma cooperava de cooperavas), em um processo piramidal, voltado especialmente para ganhos de escala e de poder junto a fornecedores e clientes.De acordo com dados da Organização das Cooperavas Brasileiras, existem, no Brasil, 7.621 cooperavas distribuídas em treze setores de avidades. O setor agropecuário é considerado o principal segmento, visto que congrega 1.615 cooperavas, reunindo 942.147 agricultores associados, oferecendo 138.829 empregos diretos e com pauta de exportações de US$ 3,63 bilhões (OCB, 2010). Desse modo, as empresas cooperavas têm importância tanto no plano econômico como social da região onde atuam, pois o cenário atual é de uma realidade de trabalho que só pode ser superada por meio de vínculos de interesses comuns, sendo crescente a necessidade da formação de alianças no segmento cooperavista, especialmente em regiões de dicil desenvolvimento, como é o caso do polígono das secas, no Nordeste do Brasil.No estado do Ceará, a área inserida no polígono das secas é de 90% do território. Esta região se caracteriza, segundo Magalhães et   Rebouças (1987), pela ausência de rios perenes, tendo seu índice de probabilidade de secas na faixa de 80% a 100%. A m de auxiliar no seu desenvolvimento, foram construídos, na década de 1960, dois grandes açudes, o Orós e o Banabuiú, porém a realidade mostrou que o acúmulo de água em grandes açudes era condição necessária, mas não suciente para resolver os problemas decorrentes da escassez hídrica local. Como alternava viável de aproveitamento da água destes açudes, foram criados os perímetros irrigados como um formato de irrigação que se pretendia moderno e de vanguarda.Neste contexto, esta pesquisa tem como objevo analisar a inuência da atuação de cooperavas regionais no desenvolvimento sustentável local de uma região inserida no polígono das secas. Para tanto, escolheu-se como campo empírico o município cearense de Morada Nova, localizado na região das secas e local escolhido pelos órgãos públicos para a implantação do primeiro projeto de irrigação do estado, que recebeu a denominação de Perímetro Irrigado de Morada Nova (PIMN). Além disso, o município que, conforme dados do Censo 2000 (IBGE, 2000), é formado por 10 mil habitantes e ocupa uma área de 36 km 2  tem como principais avidades econômicas o culvo de arroz e a produção de leite, avidades estas que são desenvolvidas no formato de cooperavas, com cerca de 900 indivíduos associados.Dessa forma, espera-se que esta pesquisa contribua na idencação de aspectos relavos ao processo de desenvolvimento sustentável local mediante atuação de cooperavas. Além disso, acredita-se que sua realização possa auxiliar na construção de medidas gerenciais para ampliar e consolidar a atuação dessas cooperavas no desenvolvimento tanto da região analisada como em demais regiões que também são casgadas pelas secas connuas. 2. COOPERATIVISMO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL LOCAL É cada vez mais comum, com a atual dinâmica organizacional, a realização de associações ou avidades cooperavas com o intuito de aumentar o grau de compevidade. Como qualquer outra forma de organização empresarial, as cooperavas também têm objevos econômicos, mas, conforme Cook (1995), diferem das demais organizações por duas razões: os cooperados são simultaneamente proprietários, usuários e consumidores dos seus produtos e serviços. Assim, o cooperavismo pode ser considerado instrumento econômico e social, com suporte constucional, que propicia que se anjam os princípios fundamentais da República, haja vista seu potencial emancipatório, pois serve como instrumento de inclusão, de resgate da cidadania e, portanto, de desenvolvimento, arma Annibelli (2008).Para Lynch (1994), as empresas enfrentam connuamente a pressão exercida pelo fato de que, se não esverem crescendo, estarão se encaminhando para a exnção. Desse modo, de acordo com Casseres (1999), a compevidade e a sobrevivência das empresas dependerão, cada vez mais,  Revista Eletrônica Sistemas & Gestão Volume 10, Número 2, 2015, pp. 214-224DOI: 10.7177/sg.2015.v10.n2.a1 216 da sua capacidade em estabelecer e manter relações com outras empresas. Cook et al.  (2004), em consonância com Pinho (1997), ressaltam que o objevo dessa cooperação, ou seja, interação entre os atores, faz parte de uma tentava de ampliar o número de parceiros e, assim, viabilizar interesses comuns em um determinado setor. De fato, se as empresas conseguem realizar cooperações como condicionantes estratégicos, idenca-se uma grande capacidade de percepção de mercado, ou mesmo uma indução do ambiente para que aspectos semelhantes favoreçam as prácas de uma dada empresa. Neste sendo, Silva et al. (2009) esclarecem que, para induzir à compevidade e assim ao desenvolvimento, é necessário observar três fatores: fatores sistêmicos, fatores estruturais e fatores empresariais. Neste contexto, esse conceito foi criado para intensicar o desenvolvimento local, por isso conciliar os fatores determinantes para a compevidade na intenção de um maior desenvolvimento local se torna necessário, uma vez que envolve aspectos relevantes à existência de cooperações. Segundo Silva et al.   (2009), um aspecto que tem despertado atenção é o forte encaminhamento dos líderes cooperavistas no sendo de incenvar as cooperavas para que, de alguma forma, se unam entre si ou com outros pos de empresas, visando o fortalecimento e a sobrevivência no curto e no longo prazo.Nicácio (1997) e Rodrigues (1998) destacam alguns fatores que impedem as alianças estratégicas entre cooperavas: o bairrismo, o receio da perda do poder, o personalismo, as ciumeiras, a compeção e a falta de percepção do ambiente compevo por líderes cooperavistas que ainda não se conscienzaram de que a compeção entre cooperavas e a fragmentação das agroindústrias cooperavas são fatores prejudiciais ao desenvolvimento do sistema cooperavista brasileiro como um todo.Assim como Jager (1992), Nicácio (1997) e Rodrigues (1998) também apontam problemas nas cooperavas agropecuárias brasileiras, dentre eles a falta de gerência políca e dos próprios concorrentes, paternalismo e o oportunismo dos cooperados. Os elevados custos de negociação geram situação menos compeva para esse po de corporação fazendo com que pequenas e grandes cooperavas se reorganizem estruturalmente de modo a lidar com tais desaos. “A completa separação entre propriedade e controle é demandada pela crescente presença de prossionais contratados no mercado com experiência em gerenciamento de corporações não-cooperavas” (Zylbersztajn, 1994, p. 31).Como solução para superação de tais impedimentos, as alianças estratégicas defendidas pelos autores mencionados como importantes para o desenvolvimento local, Roos et   Lorange (1996) recomendam às empresas que, ao parciparem de uma aliança estratégica, devem estar seguras de que possuem a aprovação e o apoio dos associados e a certeza de que, internamente, possuem o entendimento, entusiasmo e cooperação de todos na organização. Um fator que também deve ser observado é o apresentado por Noleto (2000), que considera fundamental o cuidado na escolha de tais alianças e parcerias nos aspectos de atuação no mercado, tempo de existência, credibilidade, imagem, missão, valores, intencionalidade, éca, capacidade de invesmento, saúde nanceira, recursos humanos qualicados e projetos já desenvolvidos, porque algumas alianças não dão certo por falta de conança mútua (Yoshino et Rangan,1996). Bursztyn (1985) traz uma consideração importante quando se refere à importância da conança, alianças de mercado entre cooperavas e/ou cooperavas e outras empresas. Pode ocorrer que “as cooperavas prosperam, mas não necessariamente o conjunto de seus associados”. Segundo o mesmo autor, no Nordeste, de maneira geral, as cooperavas podem ser divididas em dois grupos: “as que não angiram bom desempenho e as que apresentam bons resultado” (p. 57).No entanto, esses bons resultados nem sempre dizem respeito ao desenvolvimento dos associados, e sim “a um grupo de patrões que se apoderam de seu controle efevo, como se fossem seus proprietários” (Bursztyn, 1985, p. 57). Ou seja, ao funcionarem como empresas, elas se orientam por leis de mercado e, quando se trata de um pequeno produtor, pode ocorrer que uma cooperava ofereça preços mais favoráveis do que os de mercado, por conta do grande volume de operações ou redução de custos operacionais (Ninaut et   Matos, 2008). Administrar esses interesses é uma tarefa dicil, e muitas empresas dessa categoria estão perdendo espaço para seus concorrentes por não conseguirem equilibrá-los sasfatoriamente. O interesse econômico está relacionado assim, conforme Antonialli (2000), ao crescimento mútuo do associado e da cooperava; o interesse social está ligado aos serviços ou benecios que os associados, suas respecvas famílias e a comunidade no entorno recebem da cooperava; e o interesse políco leva às disputas internas pelo poder, como também à representavidade de tal organização e de seus liados perante a comunidade. Para tanto, Rodrigues (1997) entende que as cooperavas, com suas caracteríscas peculiares, compõem o único setor da economia cuja doutrina tem sua ênfase no equilíbrio entre o econômico e o social, o qual se instala como o seu primeiro desao frente à globalização, pois exige eciência e compevidade. Tal fato implicará, necessariamente, o aprimoramento de gestão, a redução de custos, o tratamento diferenciado para os associados em função do tamanho, da eciência e da reciprocidade. Ou seja, como armam Cook et al  . (2004)), quanto mais ele uliza os serviços da organização, maior será a sua parcipação no resultado.  Revista Eletrônica Sistemas & Gestão Volume 10, Número 2, 2015, pp. 214-224DOI: 10.7177/sg.2015.v10.n2.a1 217 3. METODOLOGIA DA PESQUISA Tendo como objevo analisar a inuência da atuação de cooperavas regionais no desenvolvimento sustentável local de uma região inserida no polígono das secas, esta pesquisa se ulizou de abordagem qualitava do po estudo de caso, que, de acordo com a classicação de Merriam (1998), pode se referir a indivíduos, grupos, organizações, culturas e regiões. O caso em estudo foi constuído pelo conjunto de cooperavas da região do Perímetro Irrigado de Morada Nova/CE – PIMN.Como em pesquisas qualitavas, o objevo não é a generalização dos resultados e sim o “aprofundamento, a abrangência e a diversidade no processo de compreensão, seja de um grupo social, de uma organização, de uma instuição, de uma políca ou de uma representação” (Minayo, 2007, p. 197), a decisão sobre a inserção dos sujeitos na pesquisa foi por intencionalidade e por acessibilidade, segundo os critérios de relevância focados no objevo geral do estudo. Dessa forma, os sujeitos escolhidos para parcipar desta pesquisa foram os gestores das cooperavas do PIMN, assim como produtores associados atualmente ou não. A opção em entrevistar produtores de arroz que não fossem associados deveu-se ao atendimento dos critérios da representavidade e pernência, sugeridos por Minayo (2007). Deste modo, no total, foram realizadas 18 entrevistas distribuídas da seguinte forma: 1. três gestores: o presidente da Cooperava Central Agropecuária dos Irrigantes do Vale do Banabuiú (CIVAB) e da Cooperava dos Pequenos Produtores Agropecuaristas de Morada Nova (COPAMN), que hoje responde por essas duas cooperavas; o gerente da CIVAB onde se localiza a indústria de parboilização e um diretor da Cooperava do Projeto Irrigado de Morada Nova (CAPI); 2. dez produtores associados das cooperavas entrevistados ao longo de toda extensão do perímetro irrigado; 3. cinco produtores não associados.Ainda observando os princípios propostos por Minayo (2007) para construção do corpus  da pesquisa, o critério da exaustão foi atendido quando as informações obdas nas entrevistas já se esgotavam e tornavam-se repevas.Por ser uma pesquisa qualitava do po estudo de caso foram ulizados os três meios tradicionais para coleta de dados: entrevista semiestruturada, observação sistemáca e análise de documentos (Paon, 2002). A elaboração do roteiro de entrevista se baseou nas categorias e subcategorias propostas por Claro et   Claro (2004), que ulizaram as três dimensões de sustentabilidade (ecológica, econômica e social) simultaneamente, conforme Quadro 1, a seguir. Quadro  1. Indicadores de sustentabilidade EcológicaEconômicaSocial Ecossistema e conservação da vida selvagem Conservação do soloConservação e proteção dos recursos hídricosConservação e economia de energiaAdministração de resíduos (lixo)Manejo de pragas e doençasDesempenho ambientalCondições mercadológicasDesempenho econômico empresarial Qualidade de vida Fonte: Adaptado de Claro et   Claro (2004). Vale ressaltar que cada categoria dos indicadores acima descritos, propostos por Claro et   Claro (2004), possui suas subcategorias e indicadores especícos. Isso sugere o desenvolvimento de uma escala para realização de quesonários estruturados conduzindo a um delineamento quantavo para pesquisa. No entanto, o delineamento desta pesquisa é qualitavo com ulização de entrevista como instrumento de coleta de dados, assim foram ulizadas apenas as categorias e subcategorias adaptadas de cada indicador de sustentabilidade: ecológica, econômica e social. Já como tentava de estabelecer um rapport   sasfatório, os entrevistados foram informados que o anonimato seria preservado, de forma que se senssem à vontade para falar sem restrições. As entrevistas foram realizadas nas residências dos associados ao longo de toda extensão do PIMN e nas sedes das cooperavas da região do PIMN. A ulização do diário de campo foi fundamental já que a extensão do PIMN é de 36 km 2 , os caminhos de acesso são muito parecidos, as casas se conguram da mesma forma externa, quase que padronizadas. Foram necessárias quatro viagens, realizadas nos nais de semana, ao município de Morada Nova/CE para realização da pesquisa de campo. Assim, o diário de campo serviu como registro e anotação de observações feitas no decorrer das entrevistas, no caminho percorrido, nas visitas realizadas às cooperavas com observações que foram registradas no diário, principalmente sobre como é feito o atendimento aos produtores associados nas cooperavas, protocolos de atendimento, acompanhamento da produção dos mesmos e registros de dívidas que são pagas quando o produtor obtém a colheita.  Revista Eletrônica Sistemas & Gestão Volume 10, Número 2, 2015, pp. 214-224DOI: 10.7177/sg.2015.v10.n2.a1 218 Além das visitas desnadas as entrevistas com os produtores e gestores, foi realizada uma visita de um dia na semana especicamente para a observação sistemáca do funcionamento das cooperavas, da indústria em funcionamento e documentos que foram disponibilizados pelas cooperavas em estudo, assim a ulização das três fontes clássicas de coleta possibilitou a triangulação dos dados (Paon, 2002). 4. LÓCUS  DA PESQUISA: O PERÍMETRO IRRIGADO DE MORADA NOVA/CE No Brasil, em 1945, foi criado pelo Decreto-Lei 8.846, de 28/12/1945, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), sendo transformado em autarquia federal em 1963. O DNOCS foi pracamente o único órgão do governo federal executor de obras de engenharia na região nordeste, construindo açudes, estradas, pontes, portos, ferrovias, hospitais e campos de pouso, implantando redes de energia elétrica e telegrácas, usinas hidrelétricas e sendo responsável pela ajuda às vímas das secas.Em 1956 foi criada a Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE, que enfazava a implantação da irrigação como solução para os problemas do Nordeste. Os técnicos desse órgão armavam que a capacidade dos açudes então existentes já era suciente para atender à demanda de água na zona semiárida, sendo necessários projetos de irrigação. A técnica de irrigação tem como objevo a transformação das possibilidades agrícolas de regiões semiáridas, deslocando os cursos de água no tempo e no espaço, modernizando a agricultura e tornando-a independente do fenômeno da seca, corrigindo a distribuição hídrica natural. Para a criação de perímetros irrigados, o Departamento Nacional de Obras contra as Secas – DNOCS – desapropriou a área de aluvião e reorganizou o espaço, formando lotes de tamanho padrão, interligados por canais de irrigação e impondo arbitrariamente um novo ator social, o colono ou irrigante (Rolim, 2006).A área irrigada brasileira pode ser considerada pequena quando comparada com o potencial irrigável do país. O maior avanço do país em áreas irrigadas ocorreu na década de 1970, devido à disponibilidade de linhas de crédito para a iniciava privada e pública por meio de programas governamentais (Rolim, 2006). Foi justamente nesse período que o Perímetro Irrigado de Morada Nova/Ce – PIMN foi criado, em 1970. O período de criação do PIMN, na década de 1970, entra em consonância com o que Marns et   Caldas (2009) indicam ser o período em que se iniciou a valorização do local como instância privilegiada para se realizar polícas públicas governamentais. O PIMN conta, atualmente, com uma população de aproximadamente 10 mil habitantes ao longo de toda sua extensão de 36 km 2 . Essa extensão é dividida em setores, núcleos habitacionais e conjuntos habitacionais.As águas que irrigam toda a região do PIMN chegam do rio Banabuiú em Morada Nova, abastecem os canais grandes, chamados canais de adução, e distribuem-se nos canais pequenos, chamados canais secundários, e daí, por meio da técnica de inundação, irrigam os terrenos dos produtores. Em seguida, esse excesso de água segue para os canais coletores. Os moradores que hoje habitam o PIMN vieram de várias partes do Vale do Jaguaribe e regiões vizinhas. Cada família teve direito a apenas um lote, sem direito a propriedade. No entanto, hoje vários moradores possuem mais de um lote. Isso acontece da forma descrita, abaixo:Só que hoje já tem muita gente que tem mais, consegue comprar, certo. Vai ganhando um dinheirinho, juntando e compra outro terreno pra melhorar as coisas. Vamos supor: eu tenho o meu pra vender, você quer comprar, aí eu passo pra você. A gente fala compra, mas na verdade não é nada registrado em papel. Quem quiser comprar um lote a você, não pode rar do seu nome. Eu tenho que pagar e conar na sua palavra (Entrevistado 6).Inicialmente a cultura no PIMN era bastante diversicada: feijão, milho, algodão e uma pequena área de arroz e pecuária. Com o passar dos anos predominou a cultura do arroz por ser de fácil manejo, já que as outras possuíam alto custo de produção. No entanto, ao percorrer toda a extensão do PIMN ainda se encontram pequenas partes dos lotes de terra desnadas a outras produções, como cana-de açúcar, feijão, e pastos para pecuária. A pecuária é para produção de leite, que é vendido para as queijeiras da própria região ou para empresas compradoras.A maioria dos moradores do PIMN produz arroz. A produção de outras culturas surge como fonte alternava de renda, assim como as aposentadorias dos que primeiro chegaram à região, nos anos de 1970 e 1972. Como as famílias cresceram, aumentando de cinco pessoas, em média, quando chegaram, para dez pessoas e os lotes de terras connuam sendo de quatro a cinco hectares por família, são necessárias alternavas para complementação de renda. 5. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Após anos de rígido controle, o DNOCS iniciou o Programa de Emancipação dos Perímetros Irrigados e deixou a administração do PIMN, repassando os bens patrimoniais como maquinário e imóveis e a gestão para os colonos. Assim, foi fundada a Cooperava Central Agropecuária
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